Em discurso para investidores, Temer reforça compromisso com reformas

Em discurso para investidores, Temer reforça compromisso com reformas

GERAL -   


Num evento para investidores, em São Paulo, o presidente Michel Temer disse que continua comprometido com as reformas para recuperar a economia. No discurso, Temer não mencionou as denúncias de obstrução à Justiça, corrupção passiva e organização criminosa a que responde no inquérito aberto pelo Supremo.

Um a um.  O ministro da Fazenda, os presidentes do Senado e da Câmara e o presidente Michel Temer, todos prometeram para investidores em São Paulo que, apesar da crise, as reformas trabalhista e da Previdência serão aprovadas.

“Para que nós possamos acabar com a demagogia, com o populismo no nosso Brasil e passar a ter a coragem de falar a verdade aos brasileiros, sem a reforma da Previdência não haverá um futuro correto e digno para milhões de brasileiros. Sem a reforma trabalhista não haverá condições para que o setor privado gere milhões de novos empregos no nosso país”, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia .

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu a aprovação das reformas. Na noite de segunda-feira (29), Temer pediu apoio dos tucanos, num encontro na capital paulista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati. Na saída, nenhum deles comentou o tema do encontro.

“Quero aqui destacar o nosso empenho com as reformas. O Brasil não quer populismo, o Brasil quer reformas, eficiência, competitividade, investimento, emprego e renda”, disse Alckmin. 

Tentando separar a economia da crise política, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles , disse que as reformas são fundamentais para o crescimento econômico e que fica no governo até 2018.

“A minha hipótese de trabalho é que não vai haver mudança na presidência do país, o presidente Temer deve concluir o seu mandato em 2018. Em dito isso, eu acredito, sim, que o brasil hoje está construindo e já tem consolidada uma estrutura constitucional que dá condições para o país continuar crescendo, independentemente das questões políticas, como deve ser em qualquer país com condições macroeconômicas sólidas”, disse o ministro da Fazenda.

Ao lado de seus principais ministros, o presidente Temer não falou sobre a crise política. Na segunda-feira (29), em entrevista a jornalistas estrangeiros, ele reconheceu que não tem os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência.

Nesta terça (30), ele disse que o diálogo com o Congresso vai continuar, porque, segundo o presidente, não existe outro caminho para o país.

“Eu quero dizer que, em cada passo, o que nos guiou foi precisamente um sentimento de responsabilidade, no particular a responsabilidade fiscal, e se de fato nós queremos um futuro melhor, eu digo sem medo de errar: não há plano B. Afinal a responsabilidade rende frutos”, afirmou Temer.

E encerrou afirmando que vai até o fim, que vai concluir seu governo. “Nós pusemos o país nos trilhos, quem apanhar a locomotiva em 2018 encontrará os trilhos no seu lugar e, por isso, agora é continuar a travessia. Nós chegaremos ao fim de 2018 com a casa em ordem”, disse.

Mas no Congresso os discursos otimistas não se concretizaram. A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado adiou a votação da reforma trabalhista. A oposição disse que o governo ficou com medo de perder. O governo disse que foi para permitir a discussão do projeto, que não aconteceu na semana passada, quando a reunião terminou em tumulto.
Houve um acordo, e a votação ficou para terça-feira (6), no mesmo dia do início do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral.

“A situação política do Brasil é muito delicada. Eu não tenho a exata certeza se dia seis votará, mesmo porque todos levantamos uma premissa que é fundamental: não dá para aprovar algo do jeito que veio da Câmara, com tantas observações, com tantos equívocos. Acho que nós teremos uma semana a mais para dialogar, ver o que que dá para corrigir no projeto e votá-lo da forma como ele tem que ser votado no Senado”, diz a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Apesar do acordo, a oposição saiu reclamando da decisão do relator, Ricardo Ferraço, do PSDB, de não mudar nada no texto que saiu da Câmara e pedir para o presidente Temer vetar os pontos mais polêmicos, que depois seriam discutidos por meio de projetos de lei ou medidas provisórias.