Familiares das vítimas de homicídios relatam histórias da violência no Brasil

Familiares das vítimas de homicídios relatam histórias da violência no Brasil

GERAL -   


Onilza de Freitas Carvalho, avó de Sergio Farias de Carvalho, assassinado em Belém

Sérgio chegou em um sábado dizendo que tinha que consertar sua moto. Quando terminou, avisou a avó que iria para a igreja. Saindo de lá, dois carros o seguiram. Homens saíram encapuzados e Sérgio gritou: “Não me mate que eu não sou ladrão”.

O pai de Sérgio abriu a porta no momento em que estavam atirando nele.  Sua avó, Dona Onilza, pediu ao filho para que chamassem um carro, pois ele ainda estava vivo.

O neto, no chão, fez o último pedido: “Minha avó, cuide do meu pai”. Foram 27 tiros no total. Um dos homens que matou saiu do carro dizendo que haviam matado a pessoa errada. “Não sei quem era para ter morrido”, lamenta Onilza.

Jeferson e Tatiana Moraes, irmãos de Ivan Moraes, assassinado em Manaus

Ivan foi à casa de seu primo quando recebeu uma ligação e saiu. O primo foi checar se Ivan estava em casa, pois achou que haviam o matado atrás da escola. A irmã dele, Tatiana, ao vê-lo no chão ensanguentado começou a gritar. Disse que nunca irá se esquecer da cena.

Ivan foi baleado por dois homens dentro de um carro. A família só espera que Justiça seja feita e querem entender o motivo do crime.  “Eu creio que a Justiça de Deus é que vai prevalecer. Eu não acredito mais na Justiça da Terra”, lamenta o irmão de Ivan, Jeferson.

Vanusa da Mota e Djalma Lima Santos, pais do David Mota Santos, assassinado em Sergipe

David tomou um único tiro na cabeça depois de voltar para buscar um perfume que uma cliente da mãe havia encomendado. “Era você mesmo, seu viadinho” foi o que ele ouviu antes de morrer. Quando o amigo que estava com David comunicou a irmã dele, ela foi imediatamente contar para Vanusa.

“A ficha na hora não caiu”, conta. Disseram que era um tiro na perna, mas quando encontrou seu irmão no caminho para o local, ele disse a ela: não foi na perna e ele já está morto.

Vanusa conta que dói demais saber que o filho foi morto por um amigo de farda do pai, um tenente despreparado. O pai Djalma para pensar e se diz perplexo com tamanha brutalidade. “Meu filho foi executado”.