Procuradoria da Venezuela denuncia cerco militar à sua sede

Procuradoria da Venezuela denuncia cerco militar à sua sede

GERAL -   

Chefe do órgão, que vem entrando em choque com regime de Nicolás Maduro, disse que ação é uma "arbitrariedade"A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, denunciou neste sábado (05/08) o que chamou de "cerco" impostos por militares que se posicionaram em frente e nos arredores da sede do Ministério Público venezuelano. O episódio ocorre um dia depois da posse da Assembleia Constituinte, cuja criação foi duramente criticada por Ortega nas últimas semanas. "Rejeito o cerco ao Ministério Público. Denuncio essa arbitrariedade à comunidade nacional e internacional", escreveu a procuradora em sua conta no Twitter. Ela também publicou fotos que mostram agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) nos arredores e acessos da sede. Na sexta-feira, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que o governo de Nicolás Maduro vem ignorando, anunciou a concessão de uma medida cautelar de proteção para Ortega, considerando que a sua vida e integridade "correm risco iminente de dano irreparável". Choques com o regime Apesar de ser uma chavista declarada, a procuradora Ortega vem sendo chamada de "traidora" por alguns líderes do governo. Ela se distanciou do governo ao denunciar uma ruptura da ordem constitucional na Venezuela. A procuradora também apresentou vários recursos contra a Assembleia Constituinte, todos rejeitados pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado de ser um órgão fantoche do governo. Esta semana, Ortega ainda anunciou a abertura de uma investigação contra os diretores do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), após a denúncia pela Smartmatic, empresa que forneceu apoio técnico à votação da Assembleia Constituinte, de que houve "manipulação" nos resultados. Maduro e os líderes do governo já alertaram que a Assembleia Constituinte "vai colocar ordem" no Parlamento, que é dominado pela oposição, e no Ministério Público. Na segunda-feira, o presidente propôs que a Constituinte levante a imunidade dos deputados para levá-los à justiça e que assuma o "controle" do MP. "O que vocês acham que (a Assembleia Constituinte) deve fazer com o Ministério Público? Reestruturá-lo imediatamente, declarar em emergência e assumir sua liderança na busca de justiça", disse ele. A Assembleia Constituinte, dotada de "superpoderes", irá governar o país por tempo indefinido e redigirá a Carta Magna que irá substituir aquela promulgada em 1999 pelo ex-presidente Hugo Chávez. JPS/afp/dpa