Barco que naufragou no Pará fazia trajeto 3 vezes maior que o permitido

Barco que naufragou no Pará fazia trajeto 3 vezes maior que o permitido

GERAL -   


As equipes de resgate encerraram as buscas de vítimas do naufrágio em porto de Moz, no Pará. Vinte e três pessoas morreram - e 29 conseguiram se salvar. As investigações revelaram novas irregularidades no barco Capitão Ribeiro.

Risalva Sousa fazia parte da tripulação do barco que afundou.

“Foi um tufão, uma tromba d'água que nos pegou de surpresa, do nada, pegou a embarcação e nos virou. Não deu tempo de colocar o colete, não deu tempo de avisar: ‘gente, a gente tá em perigo’”, disse a sobrevivente.

O barco Capitão Ribeiro ainda levava um carro a bordo. De acordo com as normas brasileiras de navegação, carros devem ser transportados em embarcações próprias para isso, como balsas e   ferry boats. O especialista Hito Braga afirma que essa irregularidade pode ter colaborado para o naufrágio.

“Não é adequado porque o centro de gravidade sobe da embarcação e ela fica com menos estabilidade, mais sujeita ao emborcamento numa situação adversa. Ele poderia até dar sorte de fazer toda a viagem e não acontecer nada”, explicou o doutor em Engenharia Naval.

O Capitão Ribeiro não está autorizado a fazer o transporte de passageiros. A proibição é da Arcon - agência que regula e controla os serviços públicos do Pará.

Mas a embarcação tinha permissão da Marinha para navegar sem levar passageiros. Não é atribuição da Marinha fiscalizar esse tipo de transporte. Antes de partir, o dono do barco apresentou documentos falsos para a Capitania dos Portos, com um trajeto menor para a viagem.

“O percurso seria de Santarém até Prainha e da sua lista de passageiros constavam somente dois nomes”, disse o capitão Barbosa.

O percurso de Santarém até Prainha é de 170 quilômetros, mas a embarcação estava a caminho de Vitória do Xingu, um trajeto três vezes maior que o permitido. E o dono do barco disse em depoimento que isso era feito há pelo menos três anos.

A Capitania dos Portos tem apenas cinco embarcações para fiscalizar 101 municípios da Amazônia oriental e tem dificuldade para conscientizar a população.

“A mentalidade de segurança é muito baixa, é o que nós chamamos aqui de ‘cultura de risco’. O ribeirinho, o passageiro, ele acha que nunca vai acontecer nada com ele, que Nossa Senhora de Nazaré está protegendo, mas não é verdade, não é isso”, afirmou o capitão José Santiago da Silva, da Capitania dos Portos. 

Nesta sexta-feira (25), os corpos de duas crianças foram encontrados no porão do navio. Agora são 23 os mortos no naufrágio.