PMs são vítimas dos bandidos e da falta de estrutura no Rio

PMs são vítimas dos bandidos e da falta de estrutura no Rio

GERAL -   


O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, do PMDB, disse que lamenta a morte do sargento Fábio Cavalcante e que se solidariza com a família de todos os policias assassinados no estado. O governador também declarou que a segurança é prioridade do governo dele e que um criminoso, que carrega um fuzil e mata um policial, deve ser tratado como terrorista.

A média, no estado do Rio, tem sido de uma morte de PM a cada dois dias. Os policiais são vítimas dos bandidos e também da falta de estrutura.

É mais uma despedida no meio de tantas. O ano já se tornou um dos mais trágicos para a polícia do Rio. Dois mil e dezessete começou com adeus a dois soldados da PM: André, de 32 anos, e Antonio Carlos, de 34. E numa velocidade assustadora, novos nomes entraram para essa lista.

Cem vezes o som da despedida foi ouvido nos cemitérios do Rio. Cem famílias choraram a morte de um parente que deixou a farda como recordação. Cem homens e mulheres que defendiam a população sem os recursos necessários, sem treinamento adequado.

"O policial nem é preparado para ficar na favela, meu esposo fez o curso, fez, mas ele não foi preparado para combater o crime numa favela. Meu esposo não tinha nem pisado numa favela, não sabia nem como era. O sonho deles é proteger a sociedade e eles acabam ficando desprotegidos. Porque quem protege eles? ”, desabafa Jéssica Pacheco, viúva do soldado Michel Galvão.

É uma carreira de risco, sem salários em dia, sem horas extras. O chamado RAS, adicional para os PMs que trabalham na folga, não é pago desde setembro do ano passado.

"É uma covardia. Policial não tem armamento, policial não tem pagamento”. O desabafo é da mãe do cabo Thiago Lance, morto com tiros à queima roupa na porta de casa. Ele nem chegou a conhecer o filho. Téo nasceu dois meses depois da morte do pai.

Assim como Thiago, a maioria dos policiais não vestia farda na hora em que eles foram mortos. Estavam fora de serviço. Muitas vezes fazendo bicos para complementar o orçamento. E foram assassinados ao serem reconhecidos.

Eles têm que oferecer segurança, muitas vezes sem os equipamentos adequados.

“Falta uma viatura inteira, que funcione, que a gente não tenha que ficar pedindo a pessoas, donas de oficina, para ajudar a gente na manutenção. Falta munição, porque a gente trabalha com limite de munições que, se tiver um problema, a gente vai ficar encurralado e não vai ter como fugir”, diz um PM.

E mesmo sendo vítimas quase que diárias da violência, o policial militar no Rio fica sem acompanhamento psicológico.

“Quando a gente sai no portão, que você vê uma guarnição da PM passando ou até mesmo de moto, você se sente mais segura, porque você sabe que naquele momento nada vai acontecer a você”, destaca Mariana Garcia, dona de casa.

“Os que continuam lutando pela gente, e que são íntegros, merecem nosso respeito e nossa consideração”, comenta Paulo Carneiro, engenheiro.

A população e a polícia agora estão sem Renato, sem Roque, sem Artur, Douglas, Evaldo, Carlos, Tiago, Mabel.

“Eu não tenho dúvida nenhuma que os PMs que estão atuando no RJ são heróis. São uns heróis”, afirma Flora Pena, aposentada.

Homens treinados para demonstrar força, 100 vezes vencidos pela emoção.

O governo do Rio declarou que faz ações integradas com o governo federal para evitar as mortes de policiais no estado. Sobre as condições de trabalho dos PMs, o governo afirmou que todos os esforços estão concentrados para assegurar a normalidade nas ações da polícia. E que a homologação de um acordo com o governo federal vai disponibilizar recursos adicionais para melhorar a segurança. Não apenas dos policiais, mas de todos os cidadãos do estado do Rio.