Mais de 2 milhões de muçulmanos iniciam a peregrinação a Meca

Mais de 2 milhões de muçulmanos iniciam a peregrinação a Meca

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  • Karim Sahib/AFP Photo

    Muçulmanos oram na Grande Mesquita, em Meca, na véspera do início da peregrinação

    Muçulmanos oram na Grande Mesquita, em Meca, na véspera do início da peregrinação

Mais de dois milhões de muçulmanos procedentes de todo o mundo iniciam nesta quarta-feira (30) a peregrinação à Meca, um ritual com várias etapas que acontece no local mais sagrado para o islamismo.

Este ano retornam à Meca os peregrinos iranianos, que não viajaram em 2016 após a ruptura de relações entre a república islâmica e o reino saudita.

Este ano o hajj, um dos cinco pilares do islã, acontece em um momento de grave crise entre os países do Golfo e sob a ameaça do grupo extremista EI (Estado Islâmico), cercado no Iraque e na Síria.

As autoridades sauditas se mobilizaram para evitar a repetição da tragédia de 2015, quando um tumulto deixou quase 2.300 mortos, incluindo 464 iranianos.

Depois da tragédia, o Irã criticou duramente a Arábia Saudita pela organização da peregrinação.

Em janeiro de 2016 os dois países romperam as relações diplomáticas. A decisão foi tomada por Riad após o ataque a sua embaixada em Teerã por manifestantes que protestavam contra a execução na Arábia Saudita de um líder religioso xiita.

A peregrinação ocorre em um momento de crise entre a Arábia Saudita e seus aliados com o Catar, país acusado de apoiar o "terrorismo" e de ser muito próximo do Irã.

Desde 5 de junho o Catar vive isolado e sob um duro embargo.

O bloqueio dificulta a peregrinação dos cataris, mas na semana passada o governo saudita anunciou que a fronteira permaneceria aberta para os fiéis que pretendiam viajar à Meca.

Ao mesmo tempo, o EI perdeu nos últimos meses grande parte do território que controlava no Iraque e na Síria, mas continua reivindicado ataques no Oriente Médio e na Europa. As autoridades sauditas afirmam que estão preparadas para esta ameaça.

O ministério do Interior anunciou a mobilização de mais de 100.000 agentes de segurança no itinerário do "hajj".

Para os fiéis, o hajj começa com a proclamação da intenção de realizar o rito espiritual. Quando chegam ao perímetro estabelecido ao redor de Meca, devem purificar-se e usar apenas pedaços de roupa sem costura.

Depois os peregrinos dão sete voltas na Kaaba, uma construção cúbica ao redor da qual foi construída a Grande Mesquita. A cada volta devem beijar uma pedra incrustada em uma das pontas da Kaaba.

A etapa seguinte é o deslocamento entre Safa e Marwa - dois lugares próximos à Grande Mesquita - seguindo os passos de Hajar, esposa do profeta Abraão, que, segundo a tradição muçulmana, fez o trajeto em busca de água para seu filho, o profeta Ismail, até que a fonte de Zamzam surgiu a seus pés.

Depois disso, os fiéis se deslocam para o vale de Mina, onde deve pernoitar, antes do momento culminante para a peregrinação: uma jornada de orações e evocações no Monte Arafat.

Ao cair da noite, os peregrinos se dirigem a Muzdalifa para se preparar para o Aid al Adha, a festa do sacrifício, que consiste em imolar um cordeiro em memória de Abraão, que, segundo a tradição muçulmana, esteve a ponto de imolar o filho Israel diante do arcanjo Gabriel, que no último momento mandou que o substituísse por um animal.

Os fiéis realizam em seguida o apedrejamento das três colunas que representam Satã em Mina, a 8 km de Muzdalifa. No primeiro dia devem jogar sete pedras contra a maior das colunas, e durante os dois dias seguintes 21 contra os três pilares, grande, médio e pequeno.

A peregrinação termina com novas voltas em torno da Kaaba.

Este ano, as autoridades colocaram ventiladores na esplanada da Grande Mesquita para ajudar os fiéis a suportar o calor, que deve ficar entre 30 e 39 graus.