Marcelo Odebrecht diz acreditar que Lula sabia da conta de propina

Marcelo Odebrecht diz acreditar que Lula sabia da conta de propina

GERAL -   


O ex-presidente do Grupo Odebrecht Marcelo Odebrecht afirmou acreditar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia da conta de propina da empresa.

No depoimento, o ex-presidente do grupo Odebrecht confirmou o conteúdo da delação premiada. Disse que pagou propina ao ex-presidente Lula, por meio da compra de um terreno que seria para a nova sede do Instituto Lula . Foram R$ 12 milhões. Como o terreno acabou não indo para o instituto, Marcelo disse acreditar que o dinheiro tenha voltado para a conta da propina.

Marcelo Odebrecht falou sobre as informações obtidas nos sistemas informática Drousys e MyWebDay, usados no Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propinas da empresa. Os documentos foram entregues pelo Ministério Público à Justiça cinco dias antes do depoimento.

Entre os documentos, estão planilhas que mostram pagamentos a duas contas no exterior, que somam o equivalente a mais de R$ 3 milhões.

“Provavelmente, Roberto Teixeira deve ter dito ou a Demerval ou a Paulo Melo, os lançamentos. E Paulo Melo coordenou com a equipe de operações estruturadas para fazer os pagamentos por fora desse terreno”, disse Marcelo Odebrecht.

Roberto Teixeira é advogado e amigo de Lula. Dermeval Gusmão Filho é o dono da DAG, empresa que, segundo as investigações, foi usada como laranja na compra do terreno e Paulo Melo é ex-diretor da Odebrecht e delator. Os três são réus nessa ação.

Marcelo Odebrecht disse também acreditar que Lula sabia da conta da propina.  “Teve uma vez que eu falei um assunto com meu pai e que esse assunto depois chegou em mim através do Palocci, que disse que tinha falado com o Lula, então é óbvio que aquilo que eu falei com meu pai ele falou com Lula. É óbvio para mim que Lula era um amigo e pela comunicação que eu tinha com meu pai ficou evidente também que Lula sabia da conta como um todo”, disse.

Marcelo Odebrecht falou ainda que, dentro da empresa, cada político tinha um padrinho. “Lula, era o meu pai. Aécio, era eu. Eduardo Campos , era eu. Dilma, era eu”, contou o empresário.

Na quarta-feira (6), mais quatro réus devem depor e, na quarta-feira (13), será a vez de o ex-presidente Lula falar.

O que dizem os citados
O Instituto Lula afirmou que funciona em uma casa adquirida em 1991; que o terreno citado na ação jamais foi solicitado ou pertenceu ao instituto e que Marcelo Odebrecht nunca falou sobre uma suposta conta com o ex-presidente Lula.

A defesa do ex-presidente Lula disse que ele jamais recebeu qualquer imóvel da Odebrecht, muito menos obteve vantagens quando esteve na presidência.

A defesa também protocolou uma petição na Justiça afirmando que Marcelo Odebrecht e Emílio Odebrecht apresentaram testemunhos antagônicos sobre Lula ter sido informado de um suposto crédito com a empreiteira.

O advogado Roberto Teixeira afirmou que jamais teve qualquer conhecimento ou participação de ato ilegal praticado por Marcelo Odebrecht; que a acusação contra ele é absurda e tenta criminalizar indevidamente a atuação dele como advogado.

A defesa de Antonio Palocci afirmou que Marcelo Odebrecht esclareceu que o ex-ministro teve uma participação muito lateral na aquisição do terreno e que Palocci não se envolveu no pagamento.

A defesa do senador Aécio Neves disse que os contatos mantidos por Aécio, como dirigente partidário, e o empresário Marcelo Odebrecht sempre foram institucionais e de conhecimento público e que as colaborações eleitorais ao PSDB seguiram as normas legais.

A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff afirmou que Marcelo Odebrecht volta a faltar com a verdade ao dizer que seria uma espécie de padrinho de pleitos da então presidente na construtora e que Dilma não pediu ou mandou pedir recursos ou favores a Marcelo Odebrecht ou a dirigentes da empreiteira.

O PSB disse que não vai se pronunciar sobre a citação do nome de Eduardo Campos.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de Dermeval Gusmão Filho.