Apuração aponta para vitória de 'sim' em referendo curdo

Apuração aponta para vitória de 'sim' em referendo curdo

GERAL -   

BEIRUTE, 26 SET (ANSA) - Os primeiros resultados do referendo simbólico de independência do Curdistão iraquiano apontam para uma vitória do "sim", de acordo com informações divulgadas hoje (26) pelas autoridades de Erbil e publicadas pela mídia local. Segundo as estatísticas divulgadas até agora, 93% dos eleitores teriam votado à favor da independência do Curdistão iraquiano, enquanto 7% teriam se posicionado contra. A afluência às urnas ontem foi de 78%, sobre um total de cinco milhões de eleitores habilitados a votar. Os resultados finais oficiais da votação devem ser divulgados apenas amanhã. Apesar disso, governo iraquiano já reagiu. O primeiro-ministro Haider al Abadi disse que as autoridades de Bagdá "não pretendem discutir com Erbil", porque a consulta popular "é inconstitucional". A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do seu secretário-geral, António Guterres, manifestou preocupação com o referendo, apontando que ele viola "a soberania, a integridade cultural e a unidade do Iraque". A ONU também alertou para os riscos da consulta gerar "efeitos desestabilizadores" na região.   

Com cerca de 30 milhões de pessoas, os curdos representam o maior povo sem pátria do mundo. Milhares de curdos, a maioria muçulmanos sunitas, vivem em territórios da Turquia, Iraque, Síria e Irã. A diplomacia interncional reconhece a delimitação do Curdistão e a cidade de Erbil como sua sede. No entanto, os curdos que vivem no Iraque - cerca de 18 milhões -- desejam proclamar sua independência em uma porção de terra que compreende várias províncias. Atualmente, as forças militares curdas, chamadas de "peshmergas", têm apoiado tropas internacionais na luta contra grupos terroristas, como o Estado Islâmico (EI). Caso os curdos do Iraque declarem independência, uma nova guerra pode começar no país, pois estilhaçaria o governo de Bagdá.   

Outros Estados, como a Turquia, cuja boa parte da população também é curda, temem que o referendo gere um efeito dominó.   

Hoje em dia, o regime do premier Recep Tayyip Erdogan já tenta conter as ambições do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerando-o terrorista. (ANSA)
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