Estudo mostra reflexos da violência nos preços de produtos no Rio

Estudo mostra reflexos da violência nos preços de produtos no Rio

GERAL -   


  A Confederação Nacional do Comércio divulgou um estudo sobre os reflexos da violência nos preços de produtos e serviços do Rio de Janeiro.

Qual é o preço da violência? É só olhar para as prateleiras do comércio. Sobrou para quem não tinha nada com isso.

Sabe por quê? Cargas roubadas nas vias estradas de acesso e nas vias expressas da cidade. Em todo o estado, o aumento foi de 30% de janeiro a agosto de 2017, se comparado ao mesmo período de 2016.

Um estudo recente revela que o medo não é a única consequência deixada pela bandidagem. O prejuízo do comércio com os produtos roubados é repassado aos preços. É o consumidor pagando alto pela violência do Rio.

“A gente sabe que no Rio de Janeiro isso se tornou um problema crônico e quando a gente avalia o histórico dos últimos 10 anos, a gente percebe que cerca de 6% da variação dos preços pode ser atribuído exclusivamente ao fator roubo de cargas. Isso gera um custo adicional para o varejista”, disse o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Fábio Bentes.

A pesquisa da Confederação Nacional do Comércio compara a inflação real de alguns produtos com a estimativa sem a violência. Pelo IPCA do Rio, a cebola subiu 25% em 12 meses. Se não fosse o índice da violência, o aumento seria menor. Isso acontece também com outros produtos como café, farinha de mandioca, cerveja e a pescada.

Entre os setores mais afetados pelos roubos estão o de material de construção e supermercado.
“Se há roubo de carga, o empresário não quer levar a pior e quem comercializa também não. Quem paga a conta? É o consumidor”, afirmou a aposentada Cláudia Maradeia.

O fruto do roubo, na maioria das vezes, vai parar em feiras clandestinas, como o Jornal Nacional já mostrou. Isso gera o desabastecimento e o aumento dos preços. Outra explicação é o investimento das empresas em segurança.

“A empresa tem medida como contratos com a empresas que tem seguro da própria carga para evitar prejuízos maiores contra este tipo de ação”, disse o gerente Severino Marcos dos Santos.

O consumidor acha difícil entender essa equação, onde ele sempre paga e a conta nunca fecha.

“É injusto, porque nós já pagamos nossos impostos. Recolhidos na fonte e ainda tem que pagar dessa forma. Muito injusto”, declarou a advogada Paula Coelho.