CCJ começa a discutir parecer pela rejeição da denúncia contra Temer

CCJ começa a discutir parecer pela rejeição da denúncia contra Temer

GERAL -   


A Comissão de Constituição e Justiça começou a discutir, nesta terça-feira (17), o parecer do relator Bonifácio de Andrada que pede o arquivamento da denúncia contra o presidente Michel Temer . Temer é acusado de obstrução de justiça e organização criminosa.

Uma sessão no plenário, de apenas três minutos, foi fundamental para que Comissão de Constituição e Justiça pudesse iniciar o debate. Era obrigatória, já que os deputados tinham pedido mais tempo para analisar o parecer do deputado Bonifácio de Andrada, do PSDB.

Desta discussão, podem participar até 172 deputados, além dos líderes. E depois, o relator e os advogados de defesa do presidente Michel Temer e dos ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha terão a palavra de novo.

Muitos discursos, mas os governistas querem acabar logo com essa etapa. O jeito foi apelar para a base aliada não aparecer na sessão. O presidente da comissão chamava os deputados, que não estavam presentes.

E quem falou foi breve. “Não vou usar meus 15 minutos, mas eu quero primeiramente cumprimentar o deputado Bonifácio de Andrada pelo belo trabalho que fez. E foi muito feliz na página 34, quando você colocou lá, vou resumir, que não estamos dando anistia ao presidente Michel Temer. Estamos mantendo-o na Presidência e, após o seu mandato, ele vai fazer as suas defesas necessárias na Justiça brasileira”, afirmou o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP).

Os governistas voltaram, também, a tentar desqualificar delatores e procuradores.

“Não precisa ser inteligente e não precisa ter cultura. Basta ter um pouquinho de sangue bom nas veias e analisar da onde é que partiu essa denúncia. Essa denúncia partiu de dois irmãos que são marginais. Eles é que confessaram que são marginais“, disse o deputado Mauro Pereira (PMDB-RS).

A oposição afirma que os governistas estão usando a velha tática de que a melhor defesa é o ataque. “A tentativa de desqualificar os delatores, de chamar de bandidos Joesley e o Funaro, só reforça o crime denunciado. Só reforça o crime”, afirmou o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA).

Oposicionistas disseram, ainda, que são muitos os elementos de provas e indícios contra o presidente Temer.

“A denúncia que está aqui, que me parece que os do governo não quiseram ler, ela traz pelo menos 26 elementos de provas ou de indícios, relatórios circunstanciados da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal. Provas de processos em trâmite em outras instâncias. Depoimentos não só dos indigitados Joesley, Wesley e Saud, da JBS, tão procurada por tantos aqui na hora de financiar campanhas e fazer daquele jeito, similar ao da Odebrecht, de maneira corrompida para comprar, alugar, influenciar mandatos, no Executivo e no Legislativo“, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ)

Os governistas querem encerrar tudo na quarta-feira (18), mas nesta terça-feira o presidente da CCJ pediu mais três sessões para continuar analisando a denúncia.

No Palácio do Planalto, a agenda positiva segue à toda. O presidente Temer participou logo cedo de uma homenagem ao Dia do Médico e comparou o trabalho de um médico ao de um político. Disse que ambos buscam a recuperação, de um doente ou de um país. Depois, o afago aos aliados. Ele e o ministro Moreira Franco almoçaram com parlamentares que apoiam o governo.

E, lá, foi questionado sobre o peso da divulgação dos vídeos de Lúcio Funaro na votação da denúncia.

Repórter : O vídeo atrapalhou a votação de amanhã? 
Temer : (faz gesto com a mão)
Repórter : Não?
Temer : Nada atrapalha.

E, nesta terça-feira, o presidente da Câmara deu a primeira entrevista coletiva depois da polêmica envolvendo a divulgação, pela Câmara, dos vídeos da delação de Lúcio Funaro. Rodrigo Maia reagiu no fim de semana quando o advogado de Temer tratou a divulgação como vazamento criminoso. O advogado Eduardo Carnelós chegou a se retratar, mas Maia não aceitou os esclarecimentos.

Nesta terça-feira, Maia defendeu a harmonia entre os poderes e disse que terá postura de imparcialidade na votação da denúncia contra Temer.

“A minha imparcialidade, de fato, não tem nada por trás dela. Não tem nenhum fato por trás da minha imparcialidade, que seja para ajudar ou atrapalhar o presidente Michel Temer. Então a minha posição será estritamente imparcial. Eu tenho dito desde a primeira denúncia que, independentemente do resultado, o importante é que a Câmara encerra a sua votação”, disse o presidente da Câmara.