MPF denuncia Nuzman por organização criminosa e corrupção

MPF denuncia Nuzman por organização criminosa e corrupção

GERAL -   


  O Ministério Público Federal denunciou o ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman. Ele está preso suspeito de compra de votos na escolha do Rio de Janeiro  como sede da Olimpíada de 2016. O ex-governador Sérgio Cabral e mais quatro pessoas também foram denunciadas.

Os procuradores dizem que ter a Olimpíada no Brasil era um projeto pessoal de Carlos Arthur Nuzman e documentos apreendidos na casa do então presidente do COB revelam o que ele pensava.

"Sou o mentor dos Jogos Olímpicos. Não estou me exibindo”, escreveu Nuzman.

O Ministério Público afirma que nesta grande "jogada", o planejamento e execução da vinda dos Jogos Olímpicos para o Rio foi uma das melhores estratégias da organização criminosa chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral, do PMDB, que pôde multiplicar as possibilidades de ganhos ilícitos com a realização de obras e com os contratos de serviços.

A investigação encontrou e-mails que comprovam a participação direta de Carlos Arthur Nuzman e Leonardo Gryner, considerado braço direito dele, nos pagamentos para comprar votos que ajudaram a eleger o Rio como sede da Olimpíada.

Em setembro de 2009, três dias antes da eleição, foram pagos US$ 2 milhões a Papa Diack, filho de Lamine Diack, africano integrante do COI com direito a voto e influência sobre outros membros do comitê. O dinheiro veio do empresário que tinha os maiores contratos com o governo do estado na gestão de Sérgio Cabral, Arthur Soares.

A denúncia desta quarta-feira (18) revela que houve outros pagamentos: a quebra do sigilo bancário do africano por autoridades francesas mostra que a empresa ligada a Lamine Diack recebeu US$ 50 mil no dia 22 de dezembro de 2009. Seis dias depois, mais US$ 60 mil. No total, foram mais US$ 250 mil.

Os valores saíram de um banco na Suíça, de uma conta em nome de um doleiro do Rio. Willie Kraus morreu em 2015. Ele era dono de uma casa de câmbio no centro da cidade. Segundo investigadores, quem tratava das transferências para o integrante do COI era a secretária de Nuzman. Agora eles querem saber quem financiou esses pagamentos.

Apesar do Comitê Olímpico do Brasil e o comitê organizador dos Jogos serem entidades privadas, o Ministério Público Federal também denunciou Carlos Arthur Nuzman e Leonardo Gryner por corrupção passiva, porque eles foram equiparados a funcionários públicos. Os procuradores afirmam que os dois administraram verbas públicas.

O Ministério Público diz que a perpetuação no poder por mais de 22 anos, por mais antirrepublicana que seja, não autoriza os dirigentes a ignorar o caráter público das verbas repassadas pela União e que a despeito de se tratar de uma "pessoa jurídica de direito privado", o Comitê Olímpico Brasileiro, por meio de seus dirigentes, representa a República Federativa do Brasil em eventos esportivos internacionais. Tanto é assim, afirmam os procuradores, que Carlos Arthur Nuzman recebeu passaporte diplomático.

A defesa de Carlos Arthur Nuzman disse que a denúncia "é fruto de uma criação mental" e chamou de "ficção" a acusação de que ele teria se associado a Sérgio Cabral para obter benefícios em obras públicas. Os advogados afirmam, ainda, que é "esdrúxula" a equiparação de Nuzman a funcionário público.

A defesa de Sérgio Cabral classificou como "sandice" a tese de que o ex-governador teria condições de negociar a realização da Olimpíada.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com as defesas de Leonardo Gryner, Arthur Soares, e Lamine e Papa Diack.

O Comitê Olímpico do Brasil não quis pronunciar.