Em dia de votação da 2ª denúncia contra Temer, dólar sobe e bolsa cai

Em dia de votação da 2ª denúncia contra Temer, dólar sobe e bolsa cai

GERAL -   


Depois de iniciar o dia com um tom bastante positivo, o Ibovespa cedeu à realização de lucros com a abertura das bolsas em Nova York, enquanto aguarda desdobramentos importantes na pauta política doméstica para retomar força.


Às 13h41, o Ibovespa apresentava queda de 0,47%, para 75.987 pontos, depois de atingir a máxima intradia de 76.883 pontos.


Para operadores e analistas, o começo do dia foi de boas expectativas do mercado com a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) pela Câmara. Isso porque espera-se que ela será de fato arquivada, mas o número de votos é importante para sinalizar qual será a força do presidente para aprovar outras reformas, entre elas a da Previdência.


No entanto, um eventual adiamento da sessão de hoje ou mesmo a indefinição quanto ao quadro final ainda deixa parte dos investidores mais cautelosos. Especialistas destacam que parte do mercado já precificou a aprovação ainda este ano de alguma reforma, mesmo que pequena, o que significa que a perda dessa visibilidade poderia levar o índice cair abaixo do atual suporte de 75 mil pontos.


Entre as maiores quedas do horário estão Suzano PNA (-3,46%), Embraer ON (-3,05%) e CSN ON (-2,69%).


"O mercado está concentrado na votação da denúncia contra Temer e tudo indica que não deve passar, mas é preciso ficar de olho porque, se o número [de votos pelo arquivamento] for alto, abre espaço para a reforma da Previdência que o [ministro da Fazenda, Henrique] Meirelles quer até o fim do ano", afirma Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor.


A expectativa, mais uma vez, de privatização da Eletrobras mantém as ações da empresa em alta (ON +2,92% e PNB + 1,74%). Na sequência, os destaques são BM&FBovespa (+1,06%), Natura ON (+0,86%) e Banco do Brasil ON (+0,85%).


Câmbio


A valorização global do dólar se mantém nesta quarta-feira, apesar de a moeda ter registrado queda durante a manhã.


Na projeção do economista-chefe do Rabobank Brasil, Mauricio Oreng, o dólar fica em R$ 3,20 este ano e em R$ 3,40 no ano que vem.


Domesticamente, os investidores aguardam a votação da segunda denúncia contra Temer. O placar pode ser um pouco menos favorável ao governo do que na primeira denúncia. Apesar de algum ceticismo no mercado, não está descartada a chance de avanço de uma reforma mínima da Previdência. O risco de curtíssimo prazo é um adiamento da votação por causa de iniciativas da oposição. No entanto, como aponta um operador, "não seria o caso de estresse, mas de um pouco mais cautela".


Por volta das 13h50, o dólar comercial subia 0,24%, a R$ 3,2521, tendo tocado a mínima de R$ 3,2290. O contrato futuro para novembro subia 0,11%, a R$ 3,2510.


Juros


Com menos pressão vinda do exterior, os juros futuros devolvem parte do prêmio acumulado nos últimos dias. As taxas operam em baixa desde o começo da sessão desta quarta-feira, acompanhando o sinal do dólar. O discurso entre os profissionais de mercado, entretanto, ainda é de cautela seja pelo ambiente político do Brasil ou pelas indefinições lá fora.


A votação da segunda denúncia contra Temer é o destaque do dia. "A sensação é de que a gestão Temer continua e que o governo vai mesmo fazer força para aprovar a reforma da Previdência ainda esse ano", aponta o estrategista-chefe da Coinvalores, Paulo Nepomuceno.


No entanto, há o risco de que o placar não seja conhecido hoje. A divisão de votos é tida como termômetro sobre a força do governo no Congresso. Há a atuação da oposição em tentar travar o processo. O alerta não passa despercebido por operadores e especialistas, podendo gerar alguma instabilidade nos ativos se o adiamento for confirmado. No entanto, como aponta um operador, "não seria o caso de estresse, mas de um pouco mais cautela".


A agenda de reformas é apontada como fator importante para manter o cenário de juros baixos. Hoje, o Copom anuncia sua decisão de política monetária e, conforme consenso do mercado, deve reduzir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 7,5% ao ano. O que deve chamar atenção são os sinais no comunicado sobre o ponto terminal do juro básico, embora não haja leitura única no mercado se o colegiado já se comprometerá com um determinado momento para encerrar o ciclo de cortes.


Pouco antes das 14h, o DI janeiro/2018 cai a 7,254% (7,275% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 recua a 7,240% (7,270% no ajuste anterior). O DI janeiro/2021 cai a 8,890% (8,950% no ajuste anterior).


A sessão desta quarta-feira é percebida como uma trégua da pressão vinda do exterior. O que mais pressiona o mercado, explica o Nepomuceno, da Coinvalores, é o novo plano tributário nos Estados Unidos. Isso porque "pode elevar a demanda a um nível que não seja acompanhado pela produção, gerando uma inflação indesejada".


O risco, então, seria uma política monetária mais dura no Federal Reserve, algo que começa a ser embutido nos preços dos ativos globais enquanto se discute quem assumirá a chefia da instituição a partir do ano que vem.


O operador Thiago Castellan Castro, da Renascença, destaca que alguns players estão aproveitando este momento de respiro e realizando lucros no mercado de juros. "A alta recente nos juros deixa o prêmio na curva um pouco maior e os players aproveitam essa 'gordura' a mais para realizar ganhos", diz. Ele alerta que há risco de decepção com o placar da votação da denúncia. Ainda assim, percebe uma animação maior hoje com a possibilidade de uma votação expressiva para barrar a denúncia.