Juros futuros recuam, com atenção à Previdência e antes do Copom

Juros futuros recuam, com atenção à Previdência e antes do Copom

GERAL -   


As taxas de DI começaram a semana em firme baixa, com os juros futuros de prazos mais longos chegando ao fim da tarde nas mínimas do dia. O movimento representa um ajuste após o salto de 20 pontos-base no meio da semana passada, quando temores sobre a reforma da Previdência levaram investidores a demandar mais prêmio de risco.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2023 caía para 10,140% ao ano (10,240% no último ajuste). O DI janeiro/2021 recuava a 9,240% (9,320% no ajuste anterior). O DI janeiro/2020 cedia a 8,320% (8,400% no último ajuste). Entre os vencimentos mais correlacionados à política monetária, o DI janeiro/2019 caía a 7,060% (7,090% no ajuste anterior).


O movimento ocorreu na véspera da primeira de duas reuniões que o Comitê de Política Monetária (Copom) fará antes de anunciar, na quarta-feira, a decisão sobre a Selic. O mercado embute corte de 0,50 ponto percentual, que levaria o juro básico à mínima recorde de 7% ao ano.


Todas as atenções se voltam para a sinalização do colegiado do BC a respeito dos próximos passos. Os contratos de juros indicam cerca de 60% de probabilidade de redução adicional de 0,25 ponto em fevereiro.


Hoje, operadores comentaram sobre o noticiário de fim de semana a respeito das negociações em prol da reforma. Nesta segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse estar "realista" sobre a possibilidade de votar o projeto da reforma em plenário da Casa até dia 13. O líder da Câmara ressaltou ter ficado satisfeito com encontro realizado no domingo com líderes partidários e os presidentes dos partidos da base governista para discutir a perspectiva de votação ainda neste ano.


Na noite de domingo, após o referido jantar, Maia disse que a base está "reorganizada" e que, juntos, os partidos têm mais de 320 deputados, número suficiente para aprovar o projeto. Líderes das bancadas de dois dos maiores partidos da Câmara, contudo - o do PP, Arthur Lira (AL), e o do PSDB, Ricardo Tripoli (SP) - não estiveram na reunião, segundo a lista de presentes.


Um ponto de cautela é o PSDB. Tripoli afirmou hoje que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), perdeu a "noção de juízo" ao tentar, segundo o deputado, atrelar a não aprovação da reforma da Previdência ao PSDB. "Isso só atrapalha a discussão, ou você acha que os outros partidos também não estão incomodados?", questionou.


O clima de poucos amigos, por outro lado, foi em parte compensado pela informação de que o desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, concluiu seu voto de relator no recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra condenação em primeira instância no processo da Lava-Jato que envolve um triplex em Guarujá (SP).


O processo agora vai para o revisor da 8ª Turma da Corte, desembargador Leandro Paulsen, que decidirá se aceita ou rejeita o recurso da defesa do ex-presidente. Não há, contudo, prazo previsto para que a turma julgue o caso, nem para que Paulsen devolva o relatório sobre o voto.


No fim de semana, o Datafolha divulgou pesquisa que mostra o ex-presidente Lula à frente nas intenções de voto para a eleição presidencial de 2018.