Ibovespa recupera os 73 mil pontos com exterior e trégua política

Ibovespa recupera os 73 mil pontos com exterior e trégua política

GERAL -   


O Ibovespa aproveitou o recente tombo e o movimento positivo nas bolsas americanas para recuperar fôlego e retomar o patamar dos 73 mil pontos, em dia de trégua do lado político no Brasil. O Ibovespa encerrou esta segunda-feira (4) em alta de 1,14%, aos 73.090 pontos.


O volume negociado em bolsa foi de R$ 6,33 bilhões, um giro que demonstra que a cautela dos investidores ainda permanece e impede a busca por montagem de posições com maior afinco.


A JBS ON (+8%, a R$ 8,78) liderou as altas do dia, com o papel reagindo ao momento positivo para o setor. Relatório do BTG Pactual dá ênfase aos dados favoráveis da balança comercial de novembro, com ciclo positivo para bovinos. No mesmo sentido, a Vale (+3,80%, a R$ 36,83) e as siderúrgicas, além dos bancos, colaboraram para os ganhos do dia.


Reforma da Previdência


Segundo operadores, a cautela local ainda se deve à leitura cética dos agentes do mercado quanto à aprovação da reforma da Previdência, com investidores preferindo aguardar pelos desdobramentos antes de voltar às compras.


Na última semana, o Ibovespa chegou a atingir os 71 mil pontos diante das sinalizações mais pessimistas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Hoje, porém, a ausência de um noticiário pesado sobre o assunto ajudou a compor um cenário de trégua, propenso à recuperação aos ativos locais de bolsa.


Maia voltou a destacar que tem "toda a condição" de aprovar a reforma e que, agora, está numa posição "realista" sobre votar o tema no dia 13 de dezembro. Porém analistas continuam ponderando que a alta de agora não é uma tendência para o mercado local, que ainda deve continuar com movimento volátil, diante das sinalizações mistas do governo e do Congresso sobre a reforma.


O mercado também observa os indicativos do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sobre uma eventual candidatura nas eleições de 2018, tema que ganha cada vez mais espaço no mercado com a chegada do fim do ano. A entrada de Meirelles poderia tornar o xadrez das eleições ainda mais fragmentado, especialmente com uma chapa do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pelo PSDB.


A reforma, porém, é o que concentra a atenção do investidor de bolsa neste momento. "Vejo um cenário um pouco melhor [para a reforma] e o PSDB pode acabar definindo parte da negociação, mas ainda existe uma grande indefinição a respeito", diz Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos. Hoje, o presidente nacional da sigla, Alberto Goldman, não quis se posicionar sobre a reunião do partido, agendada para quarta-feira (6), para tratar da articulação em torno da questão.


Reforma tributária dos EUA


Para um operador, o movimento do exterior, com as bolsas em Wall Street em alta, foi o componente adicional que, em dia de ajuste, colaborou para que o mercado retomasse os 73 mil pontos. Lá fora, o investidor digere a aprovação de reforma tributária pelo Senado dos Estados Unidos e o desempenho colabora para estimular os negócios no mercado local.


Os especialistas em bolsa procuram destacar, porém, que o movimento é mais concentrado no curto prazo e que, no médio e longo prazo, os investidores devem começar a dosar mais quais os possíveis efeitos da pauta sobre os mercados emergentes. Isso porque a reforma tributária americana pode superaquecer a economia e, com isso, estimular uma alta inflacionária, o que levaria a uma maior possibilidade de aumento de juros no país. Eventualmente, isso poderia ensejar maior enxugamento da liquidez global e consequente saída de capital dos emergentes em busca de ativos menos arriscados.


Essa leitura está sendo, no entanto, deixada de lado, ao menos por enquanto, com o mercado local operando ao sabor do bom humor geral.


"O mercado veio de uma queda forte e saímos recentemente dos 74 mil pontos para o patamar dos 71 mil pontos, então, nesses níveis, vejo uma chance de ajuste", diz um operador.