No comércio de rua, em Moscou, também é de praxe pechinchar

No comércio de rua, em Moscou, também é de praxe pechinchar

GERAL -   


Na Rússia, ao contrário de nós, brasileiros, eles consideram diferente quem nasce em território russo e quem é filho de mãe russa. São os russkiye, maioria da população, e os russianos, povos de outras etnias e que convivem há séculos. A Renata Vasconcellos foi conhecer o comércio de rua:

Os tártaros, azerbaijanos, chechenos, georgianos, daguestaneses estão muito presentes no comércio de rua e, para conhecer um pouquinho dessa mistura, eu fui visitar uma feira.

Bazar é uma palavra de origem persa e significa lugar de preços e, tradicionalmente na Rússia, quem domina essa área são os orientais.

Na época do comunismo, na União Soviética, os bazares eram uma das últimas formas de iniciativa privada e de mercado que resistiram. Os camponeses das fazendas coletivas podiam cultivar uma hortinha e vender as suas verduras.

Os mercadinhos não precisavam seguir os preços tabelados das lojas estatais e, como em toda boa feira, era comum o hábito de pechinchar: torgovat'sya

Tem brasileiros comprando matrioskas.

“Estava a 350 rublos. A gente conseguiu por 300. Com jeitinho brasileiro a gente conseguiu baixar o preço”.

Matrioskas no chaveiro, matrioskas no imã de geladeira, matrioskas de verdade. E como gostam de cultivar rivalidades: no xadrez, as peças de um lado são russas, do outro, os presidentes americanos - tem Clinton, tem Obama.

A Irina é filha de mãe russa. Pergunto a ela se é russkiye e ela confirma, mas diz que somos todos iguais e que a vida sempre foi difícil para a maioria.

“Se você acha que a concorrência ao lado está aumentando, faça melhor”, diz ela.

As caixinhas típicas são lindas. Cada uma delas tem um desenho que mostra uma parte de um conto russo. Dona Galina é russa e conta que é o marido dela quem pinta as caixas

Mais à frente, encontrei o seu Utbam; ele é do Daguestão. Conta que era o professor de história mais jovem entre os cinco da cidade dele. Com a queda do regime soviético, pediram que procurasse outro trabalho, em outra cidade, para dar lugar para os mais velhos. Ele foi para Moscou tentar a vida como comerciante.


O bazar, como em qualquer lugar do mundo, é muito mais do que um lugar de preços, mas eu diria que é um lugar de trocas, em que cada encontro é uma oportunidade.