Polícia do Rio diz que prendeu suspeito de estar no carro de assassinos de Marielle

Polícia do Rio diz que prendeu suspeito de estar no carro de assassinos de Marielle

GERAL -   

  • Foto: Reprodução

A Delegacia de Homicídios da Capital prendeu, na manhã desta terça-feira (24), um ex-PM apontado por supostamente estar no carro em que estavam os assassinos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes. Também foi detido hoje o ex-bombeiro Luis Cláudio Ferreira Barbosa, em Ramos, bairro da zona norte do Rio.

Por volta das 11h40, o delegado Willians Batista confirmou o envolvimento dos dois homens na morte da parlamentar e de seu motorista.

O PM reformado, identificado como Alan Nogueira, nega envolvimento no crime, segundo informou hoje sua defesa. Conhecido como Cachorro Louco, ele foi detido hoje, por volta das 6h, em sua casa em Olaria, zona norte carioca. O carro de Nogueira, um Honda Civic branco, foi apreendido.

O UOL apurou que a polícia investiga a eventual participação do detido nos homicídios, que aconteceram no dia 14 de março na região central do Rio.

O ex-PM foi preso por outro caso, segundo informou hoje reportagem de "O Globo". Ele é suspeito de participar dos homicídios de um PM e um ex-PM em Guapimirim, na Baixada Fluminense, em fevereiro de 2017, a mando de Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, chefe de uma quadrilha de milicianos. Os assassinatos teriam ocorrido no sítio de Araújo --o UOL ainda não conseguiu contato com a defesa dele.

Segundo a polícia, Nogueira é suspeito de integrar o bando de Araújo, que foi transferido em junho para a penitenciária federal de Mossoró (RN). Investigadores dizem que o Honda Civic apreendido teria sido usado para ajudar a desovar os corpos dos mortos na baixada.

Ainda de acordo com a publicação, a informação sobre o envolvimento de Nogueira nos crimes na baixada partiu do mesmo delator que apontou que ele estava no carro dos assassinos da vereadora.

Questionado sobre o envolvimento de seu cliente no assassinato de Marielle, o advogado Leonardo Lopes afirmou que "ele desconhece totalmente o caso. Ele não sabe nem o que está acontecendo".

Lopes também negou envolvimento do ex-PM com a quadrilha de milicianos supostamente chefiada por Araújo e disse que ele não tem ligação com os dois homicídios. "Ele nunca participou de nada", afirmou o defensor a jornalistas na porta da DH.

O UOL não localizou a defesa do ex-bombeiro Luis Cláudio Ferreira Barbosa.

No início de maio, uma testemunha, em depoimento à Delegacia de Homicídios do Rio, disse ter presenciado conversas entre o vereador Marcelo Siciliano (PHS) e Araújo nas quais supostamente teriam discutido o assassinato de Marielle. Ambos negam qualquer envolvimento no crime.

À polícia, o delator narrou que as conversas sobre a morte da vereadora teriam começado em junho do ano passado depois de ela ter passado a promover ações comunitárias em bairros da zona oeste --os quais, embora controlados por traficantes, seriam de interesse da milícia.

Preso preventivamente por outros dois crimes (homicídio e posse ilegal de armas), Araújo afirmou na ocasião que a testemunha é um PM da ativa que estaria agindo por vingança.

De acordo com a testemunha, após a morte de Marielle, pelo menos dois outros assassinatos foram cometidos como "queima de arquivo": dois dias depois da morte de Alexandre Cabeça, em 8 de abril, foi assassinado a tiros o subtenente reformado da PM Anderson Claudio da Silva, suspeito de envolvimento com milicianos.

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