Turquia reage e diz que não tolerará ameaças dos EUA em caso de pastor detido

Turquia reage e diz que não tolerará ameaças dos EUA em caso de pastor detido

GERAL -   

Istambul, 26 jul (EFE).- O governo da Turquia afirmou nesta quinta-feira que não vai tolerar ameaças dos Estados Unidos para libertar o pastor americano Andrew Brunson, preso no país em 2016.

"Ninguém manda na Turquia. Nunca toleramos as ameaças de ninguém. O estado de direito é para todos, sem exceção", disse o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Mevlüt Çavusoglu, pelo Twitter.

O pastor protestante Andrew Brunson, que vive na Turquia há mais de 20 anos, foi preso em outubro de 2016 após ser acusado de terrorismo. O religioso diz ser inocente.

O Ministério Público da Turquia considera que o pastor tem laços com o grupo armado do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha separatista curda que atua no país. O movimento é ligado ao clérigo islamita Fethullah Gülen, exilado nos EUA, considerado pelo governo turco como responsável pelo golpe de Estado de 2016.

Um tribunal turco ordenou ontem que Brunson fosse para a prisão domiciliar após passar 21 meses em uma penitenciária turca.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-presidente, Mike Penc, disseram hoje que irão impor sanções à Turquia se o pastor não for libertado. As declarações tiveram reação imediata.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Turquia, Hami Aksoy, sugeriu que a Casa Branca diminua as tensões diplomáticas.

"Convidamos o governo dos EUA a voltar ao diálogo construtivo e deixar de lado as ameaças. É impossível aceitar as mensagens ameaçantes do governo dos EUA, que ignoram totalmente a nossa aliança e nossa relação amistosas", disse Aksoy em comunicado.

Segundo a agência de notícias "Anadolu", o porta-voz da presidência truca, Ibrahim Kalin, alertou que um aliado da Organização do Tratado do Atlântico (Otan) como os EUA não deveria utilizar esse tipo de "linguagem ameaçante".

As relações entre Washington e Ancara estão tensas desde o ano passado devido à prisão de dois funcionários turcos das representações diplomáticas americanas no país. Eles foram acusados pelo governo local de colaborar com o movimento de Gülen.

O incidente provocou uma crise diplomática e os dois países suspenderam as emissões de vistos para entrada em seus territórios.

Trump chegou a pedir a libertação de Brunson ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que insinuou a possibilidade de "trocar um pastor pelo outro". Era uma referência ao pedido turco, já negado pelos americanos, de extraditar Gülen.