Após reunião de famílias de imigrantes nos EUA, o foco passa aos pais deportados

Após reunião de famílias de imigrantes nos EUA, o foco passa aos pais deportados

GERAL -   

San Diego, Estados Unidos, 28 Jul 2018 (AFP) - Com mais de 1.800 menores imigrantes entregues a seus pais, um juiz americano deu por "concluído" nesta sexta-feira o processo de reunificação que ordenou ao presidente Donald Trump, e passou a se concentrar nos 431 pais deportados sem seus filhos.

O juiz Dana Sabraw, de um tribunal federal de San Diego, destacou que o governo "merece um grande reconhecimento" por cumprir a ordem antes do prazo, e declarou que o "foco agora são os pais deportados sem seus filhos" e que se desenhe um "protocolo" para que não se repitam estas polêmicas separações.

Os imigrantes, a maioria fugindo da violência na América Central, entraram nos EUA pela fronteira sul, ilegalmente ou pedindo asilo, e eram detidos e processados em massa, enquanto seus filhos seguiam para albergues em todo o país.

Nesta sexta-feira (27) terminou o prazo de um mês que o juiz Sabraw deu para a entrega das crianças a suas famílias.

O governo passou informação correspondente a 2.551 menores com entre 5 e 17 anos de idade, e das 1.820 "consideradas elegíveis para a reunificação", 1.420 foram reunidas em instalações da polícia migratória ICE com seus pais, que em sua maioria obtiveram depois a liberdade condicional.

Outros 378 menores foram liberados em "outras circunstâncias", como os entregues ao pai ou a outro parente em liberdade.

O total de 711 menores foram considerados "não elegíveis" porque os laços familiares não puderam ser confirmados, os pais têm antecedentes criminais, sofrem uma doença contagiosa, não foram localizados, ou foram deportados.

"Estamos contentes com o resultado no sentido de que há famílias que estão unidas novamente, mas seguiremos lutando para que todas as famílias sejam reunidas. O governo ainda não consertou o estrago que causou", disse à AFP Lee Gelernt, advogado da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU).

O advogado do governo, Scott Stewart, informou que havia mil famílias com ordem de deportação "executável", das quais 400 estavam sob custódia e seriam as primeiras a ser expulsas dos EUA.

Muitas outras famílias foram liberadas no momento da reunificação, mas segundo o advogado, estão sujeitas à deportação assim que o juiz Sabraw suspender a proibição que adotou recentemente.

Já a ACLU pediu ao juiz que fixe um prazo para que o Executivo entregue mais informação sobre os país deportados sem seus filhos.

"Fizemos o melhor possível, entregamos uma tremenda quantidade de informação", assinalou Stewart, assegurando que os dados incluíam data da deportação, país de destino e data da detenção.

As separações polêmicas começaram em maio, no âmbito da política de "tolerância zero" de Donald Trump contra os imigrantes que entraram ilegalmente pela fronteira sul.

Uma vez em território americano, foram detidos e processados em massa, enquanto os filhos com quem vieram foram enviados a abrigos em todo o país.

Essa política provocou uma onda de condenações dentro e fora dos Estados Unidos, o que pressionou o presidente a encerrá-la após seis semanas e iniciar um lento processo de reunificação.

Na terça-feira, antes da divulgação das cifras mais recentes, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos tinha sob custódia em abrigos em todo o país 11.500 crianças e adolescentes classificados como Menores Estrangeiros Não Acompanhados (UACs, na sigla em inglês).