Sem CR7, Real Madrid não terá um melhor do mundo pela 1ª vez em 20 anos

Sem CR7, Real Madrid não terá um melhor do mundo pela 1ª vez em 20 anos

GERAL -   

  • Franck Faugere/L'Equipe/AFP

    Saída de CR7 abre lacuna no Real Madrid, indicando uma nova política no clube

    Saída de CR7 abre lacuna no Real Madrid, indicando uma nova política no clube

Quando Cristiano Ronaldo trocou o Real Madrid pela Juventus, não deu fim apenas a sua vitoriosa trajetória no estádio Santiago Bernabéu. Com ele, o camisa 7 levou embora também uma tradição: ao começar a temporada 2018/2019, o Real Madrid não terá em seu elenco um jogador coroado como o melhor do mundo – fato inédito nos últimos 20 anos.

É bem verdade que o jejum pode durar pouco. Primeiro, porque Luka Modric está entre os dez finalistas do prêmio Fifa The Best 2018. Segundo, porque outros indicados – casos de Eden Hazard (Chelsea) e Harry Kane (Tottenham) – já foram cotados no clube em mais de uma ocasião.

Em dezembro de 2000, quando Luís Figo ganhou a Bola de Ouro (então restrita a jogadores de qualquer nacionalidade que atuavam na Europa), já havia trocado o Barcelona pelo Real Madrid. No ano seguinte, foi a vez de Zinedine Zidane (vencedor da Bola de Ouro de 1998 e do prêmio da Fifa de melhor do mundo em 1998, 2000 e 2003) chegar à capital espanhola.

O desembarque do francês deu início a uma política conhecida no Real como Zidanes y Pavones , em referência à mescla entre a contratação de grandes astros (no caso, o próprio Zidane) e a promoção de jovens da base do clube (caso do zagueiro Francisco Pavón, que atuou pela equipe entre 2001 e 2007). Só que nem sempre os jovens vingaram, deixando a imagem de Florentino Pérez ligada aos times galácticos.

E assim foi nos anos seguintes: grandes destaques do futebol europeu, candidatos ao posto de melhor do mundo foram seduzidos pelos grandes valores oferecidos pelo Real Madrid. Em 2009, Kaká deixou o Milan por 67 milhões de euros – poucos dias antes de Cristiano Ronaldo deixar o Manchester United por 94 milhões de euros. Em 2014, James Rodríguez saiu do Monaco por 76 milhões de euros. Em 2013, foi a vez de Gareth Bale se mandar do Tottenham por 100 milhões de euros. Fora nomes como Michael Owen (Bola de Ouro em 2001), David Beckham, Fabio Cannavaro e Antonio Cassano.

Novo paradigma?

Só que a temporada 2018/2019 começa menos galáctica para o Real Madrid. Até aqui, sem Cristiano Ronaldo, o time (ainda) não investiu em um melhor do mundo para seu elenco.

O Real Madrid pós-CR7 esboça uma nova política: ao invés de nomes já que figuram no topo do mundo, jogadores jovens com potencial para explodir a curto e médio prazo. Mais ou menos como o Barcelona, celebrado por relevar talentos, fez ao buscar Neymar no Santos em 2013.

Para o torcedor brasileiro , o nome mais sintomático neste sentido é o de Vinícius Júnior, atacante de 18 anos que deixou o Flamengo por 45 milhões de euros. Somam-se a ele o lateral direito Álvaro Odriozola (de 22, que deixou a Real Sociedad por 30 milhões de euros) e o goleiro Andriy Lunin (de 19, negociado pelo Zorya Luhanks por 8,5 milhões de euros). Os pavones da vez são o meio-campista uruguaio Federico Valverde e o atacante espanhol Raúl de Tomás, revelados pela base e promovidos ao elenco principal.

É claro que a entrega dos prêmios Fifa The Best 2018, em 24 de setembro, deverá promover novidades no mercado europeu. Embora Cristiano Ronaldo seja um forte candidato a vencer a categoria masculina, outros nomes certamente figuram no radar do Real e devem brigar pelo título de melhor do mundo nos próximos anos. A política desta temporada, porém, mostra que o Real Madrid não quer esperar jovens brilharem por aí - afinal, um vencedor do prêmio de melhor do mundo pode ser lapidado também no Santiago Bernabéu.

Quem eram os melhores do mundo* no Real a cada ano:

  • 2000: Luís Figo (POR)
  • 2001: Luís Figo (POR) e Zinedine Zidane (FRA)
  • 2002: Luís Figo (POR), Zinedine Zidane (FRA) e Ronaldo (BRA)
  • 2003: Luís Figo (POR), Zinedine Zidane (FRA) e Ronaldo (BRA)
  • 2004: Zinedine Zidane (FRA), Ronaldo (BRA) e Michael Owen (ING)
  • 2005: Zinedine Zidane (FRA) e Ronaldo (BRA)
  • 2006: Ronaldo (BRA) e Fabio Cannavaro (ITA)
  • 2007: Fabio Cannavaro (ITA)
  • 2008: Fabio Cannavaro (ITA)
  • 2009: Kaká (BRA) e Cristiano Ronaldo (POR)
  • 2010: Kaká (BRA) e Cristiano Ronaldo (POR)
  • 2011: Kaká (BRA) e Cristiano Ronaldo (POR)
  • 2012: Kaká (BRA) e Cristiano Ronaldo (POR)
  • 2013: Cristiano Ronaldo (POR)
  • 2014: Cristiano Ronaldo (POR)
  • 2015: Cristiano Ronaldo (POR)
  • 2016: Cristiano Ronaldo (POR)
  • 2017: Cristiano Ronaldo (POR)
  • 2018: Cristiano Ronaldo (POR)

* Considerando os vencedores do prêmio da Fifa e da Bola de Ouro