Mineradoras estimam gastar 8% do que MP pediu para reparar danos em Mariana

Mineradoras estimam gastar 8% do que MP pediu para reparar danos em Mariana

GERAL -   

  • Douglas Magno/AFP

    Imagem dos arredores de Bento Rodrigues em 2015, região afetada pelo rompimento da barragem de Mariana (MG)

    Imagem dos arredores de Bento Rodrigues em 2015, região afetada pelo rompimento da barragem de Mariana (MG)

As mineradoras Vale e BHP Billiton esperam encerrar em 2025 a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem em Mariana (MG), dez anos após o desastre. Para isso, estimam gastar R$ 12 bilhões, o que corresponde a menos de 8% do que o Ministério Público Federal (MPF) pedia em ação às empresas -- R$ 155 bilhões.

O valor anunciado pela Fundação Renova, criada pelas mineradoras após a tragédia, é também inferior aos R$ 20 bilhões pedidos por União e governos de Minas Gerais e Espírito Santo, em outra ação. 

As empresas firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com os ministérios públicos e governos estaduais no fim de junho e, com isso, suspendeu as ações que corriam contra a Samarco - joint venture  formada pelas gigantes da mineração. A Vale é brasileira e a BHP Billiton é anglo-australiana.

"Esse valor (R$ 12 bilhões) é adequado para o cumprimento das atividades planejadas. Mas não é um teto. O compromisso é a reparação integral", disse Roberto Waack, diretor-presidente da Renova, em 26 de junho.

O executivo também disse que 16% (R$ 2 bilhões) do valor será destinado a indenizar as vítimas dos 29 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo afetados pelo evento.

"Até o fim do ano devemos concluir o grande volume dessas indenizações", disse o executivo. Até o momento - dois anos e oito meses após a tragédia - foi pago R$ 1 bilhão em compensações.

Ministério Público critica

O valor anunciado gerou críticas entre procuradores e ativistas.

"Eu tenho uma obrigação de R$ 155 bilhões. Reconheço que essa obrigação é de R$ 20 bilhões. E só pago R$ 12 bilhões. É esse o cenário", disse ao UOL o coordenador da Força Tarefa Rio Doce, do MPF em Minas Gerais, procurador José Adércio Sampaio.

"Estamos falando da recuperação de uma bacia hidrológica (bacia do rio Doce). É algo para 20, 30 anos. Falaram inicialmente da recuperação de 5 mil nascentes no rio Doce e afluentes, mas estudos preliminares mostram  a necessidade de recuperar 30 mil nascentes. Com essa ordem de grandeza, é até falta de respeito com as vítimas colocar prazo e valor", afirmou Sampaio.

Movimento dos Atingidos por Barragens

"A Renova gasta mais dinheiro cooptando as pessoas envolvidas no processo de reparação do que dando efetividade ao que é gasto", declarou Thiago Alves, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

"Estamos falando da construção da possibilidade de vida dos atingidos. E não estou falando somente da experiência de vida das populações ribeirinhas, mas de toda a experiência de vida e condições de todas as populações, inclusive urbanas, que dependem do rio Doce", completou.

Ele critica o prazo e o valor anunciados:

A recuperação do rio Doce e a vida dessas pessoas não podem ser reconstruídas até 2025.

Outro lado

Após a repercussão da fala do executivo, a assessoria de imprensa da fundação enviou nota na última quarta-feira (1º) ao UOL informando que os R$ 12 bilhões de gastos previstos pelo executivo são um "piso".

"Para as atividades reparatórias, não há teto, e sim um piso de R$ 12 bilhões estabelecido pelo TAC em março de 2016. Se a ação está prevista no TAC, tem que ter aporte para que ela seja realizada", diz a nota da Renova.