Força-tarefa investiga ligação do PCC em morte de PM em Paraisópolis, em SP

Força-tarefa investiga ligação do PCC em morte de PM em Paraisópolis, em SP

GERAL -   

  • Arquivo Pessoal

    A policial militar Juliane dos Santos Duarte teve o corpo localizado nessa segunda

    A policial militar Juliane dos Santos Duarte teve o corpo localizado nessa segunda

Força-tarefa da Polícia Civil e da Corregedoria da PM (Polícia Militar) investigam se a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) teve envolvimento no sequestro e homicídio da soldado Juliane dos Santos Duarte , 27.

Uma mulher, identificada como Neguinha, está sendo investigada pela força-tarefa. A suspeita é que que ela tenha um posto conhecido como "cargo de disciplina", ou seja, responsável por coordenar as ações da cúpula do PCC na região que ela atua -- a favela de Paraisópolis, zona sul da capital.

Segundo a investigação, Neguinha esteve no bar no momento em que a soldado foi raptada por quatro criminosos encapuzados. Policiais chegaram a trabalhar com a hipótese de que ela seria a mandante do crime.

Investigadores do caso, porém, apostam mais que Everaldo Severino da Silva, o Sem Fronteira, que teve a prisão temporária, de 15 dias, expedida pela Justiça, seja a peça-chave da apuração. A suspeita da polícia é de que ele comandava o tráfico de drogas em Paraisópolis. Ele já teria sido preso por envolvimento na morte de um PM.

Segundo a Polícia Civil, Sem Fronteira sabia do homicídio da soldado, mas ainda não se sabe o grau de seu envolvimento na ação contra Juliane. As informações iniciais, da PM, eram de que ele havia sido detido porque entrou em luta corporal com um policial durante as averiguações na favela.

O comandante-geral da PM, coronel Marcelo Vieira Salles, afirmou ao UOL que mais de 100 policiais estão em operação na favela de Paraisópolis em busca dos criminosos. Segundo a corporação, há homens do Choque, Rota, COE e do 16º Batalhão na favela.

O corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes, informou que a operação não tem prazo para terminar. "Os batalhões de choque estão fazendo policiamento dia e noite na região. Entrevistando e revistando pessoas que entram e saem da comunidade. É uma ocupação territorial", disse.

A assessoria de imprensa da PM informou que, durante a tarde de hoje, policiais militares estavam atrás de testemunhas que pudessem colaborar com as investigações.

Polícia Civil diz que, de acordo com as características encontradas no corpo da policial, a perícia indica que ela teria sido morta no domingo, ou seja, tendo ficado sob a posse dos criminosos por quatro dias.

Uma cápsula de pistola .40, de uso exclusivo das forças de segurança, foi localizada dentro do carro. É investigado se ela foi assassinada dentro ou fora do veículo.

Divulgação/PM
Carro onde a PM Juliane dos Santos Duarte foi encontrada morta, em SP

Os policiais ainda buscam câmeras de segurança na região onde o carro foi encontrado para tentar identificar quem o dirigia. O delegado Antônio Sucupira, do 89º DP (Distrito Policial), disse que não é possível dizer se esse titular do carro junto ao Detran está envolvido com o crime --pode ter vendido o carro, por exemplo, há anos, ou ser um laranja.
Através de uma denúncia anônima, um homem, suspeito de ser o que levou a moto da policial até o Alto de Pinheiros, na região oeste, foi detido. Ele está na carceragem do 89º DP desde a madrugada.

Causa estranhamento nos investigadores a informação de que a PM teria recebido quatro ligações sobre o carro estacionado no local em que a policial foi encontrada desde quinta-feira (2), o que aponta que ela não teria ficado mais de um dia sob posse dos criminosos.

A polícia ainda procura o homem que deixou a moto da policial no Alto de Pinheiros depois de ela ter sido raptada em Paraisópolis. Policiais chegaram a ouvir os familiares do homem, identificado, mas não conseguiu localizá-lo.

No Diário Oficial desta quarta-feira (8), o governo estadual reforçou a recompensa de R$ 50 mil por informações que ajudem a capturar os criminosos.

A soldado era policial militar há dois anos e estava lotada em uma companhia que faz patrulhamento no Jabaquara, bairro da zona sul da capital. Juliane morava apenas com a mãe, Cleusa dos Santos, 57, que sofre de câncer na medula óssea. Ela foi enterrada ontem, em São Bernardo.