Boeing recupera divisão de defesa com velhos aviões de guerra

Boeing recupera divisão de defesa com velhos aviões de guerra

GERAL -   


(Bloomberg) -- Não faz muito tempo que Leanne Caret, chefe da divisão de defesa da Boeing, alertou sobre o futuro sombrio de um dos emblemáticos jatos de combate da fabricante de aviões.

Como chefe de finanças da divisão, Caret ajudou a redigir uma declaração incluída no balanço anual de 2014 da empresa afirmando que a produção do F/A-18 Super Hornet estava sob risco de ser cancelada em 2018 devido à estagnação das vendas. Mas o dia do juízo final do avião nunca chegou -- e Caret agora comanda o ressurgimento do Super Hornet e de outro caça da Boeing, o F-15 Strike Eagle.

"Uma das maiores alegrias que tive neste cargo foi ver essas declarações serem removidas dos balanços", disse Caret, em entrevista, no salão aeronáutico de Farnborough, no mês passado, no Reino Unido. "Esse é um dos pontos altos da minha carreira."

Com a volta desses aviões, Caret se concentra em um objetivo mais difícil: recuperar o crescimento. O setor de defesa encolheu com o declínio dos orçamentos do governo e a Boeing foi derrotada pela Lockheed Martin e pela Northrop Grumman na disputa pelos programas da nova geração de aeronaves dos EUA. Após longo atraso, o avião-tanque da Boeing deve gerar um novo impulso. Caret também busca ganhar licitações do Pentágono para um jato de treinamento e um drone de reabastecimento de combustível.

Isso dá à executiva de 51 anos a chance de reforçar a divisão de defesa da empresa, de US$ 21 bilhões, ofuscada com a explosão das vendas de jatos comerciais da Boeing nesta década. Ela assumiu o comando da divisão de defesa, espaço e segurança da Boeing há dois anos, promovida pelo CEO Dennis Muilenburg -- que também havia chefiado a unidade.

Tropeços do avião-tanque

Caret, alegre e discreta pessoalmente, é tão motivada quanto seu chefe, um consumidor de Diet Mountain Dew, disse Loren Thompson, analista de defesa do Lexington Institute que conhece os dois executivos.

"Ela é sem dúvidas cortês e atrativa, mas não perde uma oportunidade de minar os concorrentes", disse Thompson, em entrevista.

Caret tem obstáculos a superar. A empresa deverá entregar o primeiro avião de sua nova e maior franquia militar, o navio-tanque KC-46, em outubro. Mas isso ocorrerá depois de o posto de gasolina voador ter gerado US$ 3,4 bilhões em custos excedentes, incluindo uma cobrança que prejudicou o balanço de resultados da Boeing no mês passado.

A Boeing também discute uma atualização conhecida como F-15X com a Força Aérea dos EUA, segundo uma pessoa informada sobre o assunto. Apesar de o Pentágono ter encomendado o caça bimotor pela última vez no período 2001-2002, a Força Aérea dos EUA se beneficiaria com os investimentos em tecnologia já realizados por clientes internacionais como a Arábia Saudita, incluindo displays para o glass cockpit, a melhora do radar e controles fly-by-wire.

--Com a colaboração de Eliza Haverstock.

Repórteres da matéria original: Julie Johnsson em Chicago, jjohnsson@bloomberg.net;Jonathan Ferziger em Telavive, jferziger@bloomberg.net