Vice-diretora do Museu Nacional afirma que "menos de 10% do acervo escapou"

Vice-diretora do Museu Nacional afirma que "menos de 10% do acervo escapou"

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Cristiana Cerejo, vice-diretora do museu Nacional, afirmou nesta segunda-feira (3) que menos de 10% do acervo de mais de 20 milhões de peças pode ter sido preservado do fogo. Cristiana disse ainda que os bombeiros e homens da Defesa Civil não conseguiram chegar à galeria onde ficava o crânio da Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado no país, com cerca de 12 mil anos, em função do calor que os pequenos focos de incêndio ainda causam no interior do prédio.

Segundo Renato Cabral Ramos, da área de geologia e paleontologia do museu, foi retirado um quadro do Marechal Rondon que talvez possa ser restaurado. Além disso, alguns armários de metal ainda estão de pé e podem ter preservado o conteúdo que estava guardado.

Algumas rochas da Coleção Werner, que ficavam próximas à saída, foram retiradas, inclusive rochas pesadas, carregadas nos ombros. Segundo Renato, as pedras estão danificadas, mas podem ser recuperadas. Ele disse ainda que acreditar que toda a coleção de Egito foi perdida.

Uma das bibliotecas de antropologia do museu se perdeu por completo no fogo. Cristiana estimou em R$ 15 milhões o custo da reforma desse espaço, que já pôde ser vistoriado. O acervo de uma outra biblioteca de artigos antropológicos foi recentemente transferido para o Predio do Horto --próximo ao museu-- e foi preservada.

Ainda de acordo com a vice-diretora, desde 2015 a verba vinha sendo contingenciada. No último ano, o montante destinado ao museu foi de R$ 340 mil.

Bombeiros e especialistas entram juntos

Os funcionários removem cuidadosamente restos de escombros, como pedaços de madeiras, telhas e mesmo vigas metálicas, na esperança de encontrar algum objeto de valor histórico. Normalmente, o trabalho de rescaldo é feito apenas pelos bombeiros, mas como se tratam de peças antigas, é necessário acompanhamento dos especialistas, para distinguir um simples resto de escombro de um artigo valioso.

O trabalho é lento e minucioso, pois muitas peças ainda podem estar em condições de recuperação, abaixo de toneladas de madeiras queimadas e telhas de barro. Os três andares do museu desabaram um por cima do outro até o chão.

Munidos com martelos, pás e enxadas e usando apenas capacete, sem luvas, os funcionários trazem para fora as peças que encontram, colocando as menores dentro de caixas plásticas. 

Incêndio no Museu Nacional: O Acervo Perdido

Apenas bombeiros e funcionários do museu podem ingressar dentro do prédio. Os jornalistas e demais pessoas ficam a cerca de 20 metros de distância, por questão de segurança.

(*Com Agência Brasil)