Estudo mostra que sistema proporcional elege os deputados mais votados

Estudo mostra que sistema proporcional elege os deputados mais votados

GERAL -   


Estudo realizado pelo cientista político Márcio Cunha Carlomagno, mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná, revela que o sistema proporcional, usado no cálculo de votos dos vereadores, deputados estaduais e federais, de modo geral, elege os candidatos mais votados nos estados.

O sistema proporcional é alvo de críticas por supostamente distorcer o voto popular, ao eleger candidatos pouco votados, em detrimento de outros mais votados.

Ao analisar os dados de seis eleições (vereadores em 2008 e 2012, deputados estaduais e federais, ambos em 2010 e 2014), Carlomagno constatou que a grande maioria dos eleitos foram os mais votados ( veja quadro abaixo ). Eles teriam sido eleitos mesmo que o sistema fosse majoritário, no qual os mais votados são eleitos.



Confusão de conceitos

A cada eleição para a Câmara dos Deputados, divulga-se a informação de que menos de 10% dos candidatos a deputado federal foram eleitos com votos próprios, e o restante dependeu dos votos dos demais candidatos. Para o cientista político, trata-se de uma confusão conceitual.

“A mensagem que se passa, com tais notícias, é que todos os demais teriam tido votações abaixo dos ‘mais votados’ e só entraram devido à transferência de votos intra-lista, de modo ‘injusto’, como se todos os demais fossem ‘puxados’. Contudo, trata-se de duas coisas distintas. Uma, o quociente eleitoral, diz respeito aos partidos/coligações, e não tem nada a ver com o candidato, em si”, disse.

“Não é esperado (ou não deveria ser esperado) que candidatos alcancem, por si só, o quociente. Esses casos são excepcionais, apesar de serem tratados como se fosse o que deveria ser esperado”, afirmou.

Votação inexpressiva
Ao analisar os resultados das duas últimas eleições para a Câmara dos Deputados, Carlomagno constatou que apenas um dos 513 deputados federais eleitos, tanto em 2010 quanto em 2014, teve uma votação inexpressiva.

“Será que precisamos mesmo de uma reforma política para corrigir um problema que corresponde a 0,2% dos eleitos?”, questionou.

“Do outro lado, os defensores do sistema distrital podem utilizar esses dados para um argumento favorável à adoção desse modelo: ‘Ora, se já temos os aspectos negativos de um sistema majoritário, por que não adotá-lo de vez e obter suas vantagens?’, alguém poderia argumentar. É possível – e isto também é questão a ser debatida”, acrescentou.