Mukwege: "Prêmio não faria sentido sem reconhecimento à luta da mulher"

Mukwege: "Prêmio não faria sentido sem reconhecimento à luta da mulher"

GERAL -   

Kinshasa, 5 out (EFE).- O ginecologista e cirurgião congolês Denis Mukwege dedicou nesta sexta-feira o prêmio Nobel da Paz que acaba de receber a todas as mulheres sobreviventes de violência sexual.

"Aceito este prêmio por vocês", disse Mukwege em um breve pronunciamento no hospital Panzi em Bukavu, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), citando as centenas de mulheres que ele mesmo tratou, informou o jornal local "Actualité".

"Isso mostra que vocês (as mulheres) já foram reconhecidas. O prêmio não faria sentido se não reconhecesse a luta da mulher", acrescentou o ginecologista, de 63 anos.

A notícia foi recebida com festa no hospital em que Mukwege tratou desde 1999, tanto física como psicologicamente, mais de 85 mil vítimas de estupro em consequência do conflito na RDC, o que lhe rendeu o apelido de "o homem que salva as mulheres".

"Estava no meio de uma operação quando, de repente, (as pessoas) começaram a gritar", disse o premiado, por telefone, à Fundação Nobel, de acordo com seu site oficial.

"Posso ver nos rostos de muitas mulheres o quão felizes elas estão de serem reconhecidas. Foi realmente comovente", acrescentou o ginecologista.

A ativista yazidi iraquiana Nadia Murad, de 25 anos e ex-escrava do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), também foi premiada com o Nobel da Paz por sua luta para acabar com o uso da violência sexual "como arma de guerra e em conflitos armados".