Suspeitas de má-formação em bebês causam alarde na França

Suspeitas de má-formação em bebês causam alarde na França

GERAL -   

Paris, 5 out (EFE).- O nascimento de 14 bebês com má-formação, concentrados em três regiões de França em um espaço de poucos anos, fizeram soar o alarme de alguns especialistas, que suspeitam que a poluição pode estar por trás do fenômeno, uma hipótese que já foi descartada pelas autoridades de saúde do país europeu.

O assunto polêmico, amplamente divulgado nos veículos de imprensa franceses, começou com o aviso da associação Remera, que tem um registro de crianças com má-formação na populosa região de Rhône-Alpes, no leste de França.

A diretora da associação, a epidemiologista Emmanuelle Amar, alertou que sete bebês nascidos entre 2009 e 2014 no departamento de Ain registravam má-formação (como falta de mão e de antebraço) sem que suas mães tivessem comportamentos de risco, como o uso de drogas e a ingestão de bebida alcóolica.

Além desse caso há outros dois, um envolvendo quatro crianças nascidas entre 2011 e 2013 na Bretanha francesa, e outro relativo a sete bebês nascidos entre 2007 e 2008 em Mouzeil, no departamento de Loire-Atlantique, no noroeste do país.

"A taxa de má-formação em Ain era 58 vezes maior que a normal na França. Esta situação é inédita no país. Afeta três departamentos no total", denunciou Emmanuelle Amar em entrevista publicada nesta sexta-feira no jornal "Le Parisien". A especialista acredita que a poluição atmosférica pode estar por trás dos casos.

"Só há essa pista (a ambiental), mas não está confirmada. É uma hipótese. Haveria uma substância utilizada na agricultura capaz de impedir o crescimento de um braço de um bebê dentro do ventre de sua mãe? Terá sido mera casualidade? Não sabemos", acrescentou a epidemiologista.

Amar, conhecida por seu trabalho no alerta sobre más-formações durante o uso do remédio antiepiléptico Depakine, lamentou a atitude das autoridades de saúde da França e assinalou que o caso está "prestes a se transformar em um escândalo".

Em um relatório apresentado ontem, a agência nacional da saúde pública, Santé Publique France, disse que nenhum fator ambiental se revelou como possível causa das más-formações.

Além disso, a agência considerou que os sete casos de Ain "não representam um excesso" em relação à média nacional, mas reconheceu que este sim existe em Loire-Atlantique e na Bretanha.