Governo da RD do Congo parabeniza Denis Mukwege por prêmio Nobel da Paz

Governo da RD do Congo parabeniza Denis Mukwege por prêmio Nobel da Paz

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Kinshasa, 5 out (EFE).- O governo da República Democrática (RD) do Congo parabenizou nesta sexta-feira o ginecologista congolês Denis Mukwege por ter sido agraciado com prêmio Nobel da Paz por seu combate à violência sexual contra as mulheres.

"Parabenizamos o doutor Mukwege por seu prêmio Nobel. Embora nem sempre estejamos de acordo com sua análise, comemoramos o fato de um compatriota nosso ter sido premiado", afirmou o porta-voz do governo da RD do Congo, Lambert Mende.

"Esperamos que (Mukwege) continue seu trabalho em favor das mulheres que são vítimas da violência nesta região (a zona leste da RD do Congo) martirizada de nosso país", concluiu Mende, citado pelo jornal local "Actualité".

O líder opositor da RD do Congo e candidato nas eleições presidenciais de dezembro, Martin Fayulu, por sua vez, mostrou mais entusiasmo com a premiação de Mukwege do que o próprio governo do país. Para o político, a entrega do prêmio ao médico congolês representa "o renascimento do Congo".

A relação do governo congolês com o cirurgião, conhecido internacionalmente por seu trabalho de apoio e assistência às vítimas de estupro no país africano, foi de idas e vindas durante muito tempo.

Em 2012, Mukwege denunciou a situação do país e alertou para o uso de mulheres como armas de guerra durante um discurso nas Nações Unidas e, apenas um mês depois, sobreviveu a uma tentativa de assassinato.

Depois disso, o renomado médico decidiu deixar a RD do Congo com sua família, mas sua dedicação à luta contra essas atrocidades fez com que ele retornasse meses depois, no início de 2013.

Junto a Mukwege, de 63 anos, a ativista yazidi iraquiana Nadia Murad, ex-escrava do grupo terrorista Estado Islâmico, também recebeu hoje o prestigiado prêmio do Comitê Nobel Norueguês.

A República Democrática do Congo está há anos imersa em um frágil processo de paz após a Segunda Guerra do Congo (1998-2003), que levou à criação em 1999 da Monusco, a missão da ONU para contribuir com a estabilização do país, cujo território é quase quatro vezes maior do que o da França.