Verona aprova moção contra aborto e gera polêmica na Itália

Verona aprova moção contra aborto e gera polêmica na Itália

GERAL -   

VERONA, 5 OUT (ANSA) - O Conselho Comunal de Verona, na Itália, aprovou nesta sexta-feira (5), com 21 votos a favor e seis contrários, uma moção na qual a cidade se declara contra o aborto e apoia as associações católicas no combate a prática. O documento, assinado pelo prefeito Federico Sboarina e apoiado pelo partido ultranacionalista Liga Norte, do ministro do Interior, Matteo Salvini, define Verona como uma "cidade a favor da vida" e prevê a inclusão no orçamento de fundos destinados a projetos existentes no território.   

A iniciativa tem como objetivo promover o programa regional "Culla Segreta" ("Berço Secreto", em português), um serviço gratuito para apoiar a maternidade e a família. A votação foi acompanhada por ativistas do movimento feminista "Non Una di Meno", mas o que causou polêmica foi o voto a favor da moção de Carla Padovani, líder do Partido Democrático (PD) na Câmara Municipal.   

"Eu votei de acordo com minha consciência. Pela lei 194 não parece que o Partido Democrático tem uma linha clara. Eu não esperava toda essa polêmica", diz ela.   

Segundo o atual secretário da legenda de centro-esquerda, Maurizio Martina, a aprovação contra o aborto é "um retorno à Idade Média".   

"A lei 194 em defesa das mulheres e da maternidade consciente é intocável. Quem quer dirigir o país no passado dos abortos clandestinos deve saber que todo o PD lutou e sempre lutará para defender essa conquista da civilização para proteger a liberdade e a saúde das mulheres", disse Martina em sua conta no Facebook.   

"Não pode haver ambiguidade quanto a este ponto, ainda mais hoje em face das provocações de alguns membros da maioria do governo que imaginam um retorno à Idade Média para a Itália", finalizou.   

Por sua vez, o secretário regional da legenda de centro-esquerda, Alessandro Bisato, disse que estava "chocado com a iniciativa da Liga e da maioria em Verona", principalmente porque é uma "ação voltada exclusivamente para limitar a liberdade e o direito de autodeterminação das mulheres".   

Já o "Movimento pela vida italiana" parabenizou a decisão de Verona contra o aborto. "Não entramos no debate e nas polêmicas políticas. No entanto, não posso deixar de observar que a medida é um raio de sol, que esperamos que possa iluminar outras comunidades locais sobre o valor da vida", disse a presidente da organização, Marina Casini Bandini.   

O Conselho ainda rejeitou a proposta que previa o enterro automático de fetos abortados. (ANSA)
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