Nadia Murad dedica Nobel da Paz a vítimas de violência sexual

Nadia Murad dedica Nobel da Paz a vítimas de violência sexual

GERAL -   

Cairo, 5 out (EFE).- A iraquiana yazidi Nadia Murad agradeceu por ter recebido nesta sexta-feira o prêmio Nobel da Paz em mensagem na qual manifestou seu desejo de dividir o prêmio com todas as minorias perseguidas e as vítimas de violência sexual no mundo todo.

"Estou incrivelmente honrada e grata por seu apoio e divido este prêmio com os yazidis, iraquianos, curdos e outras minorias perseguidas e as incontáveis vítimas de violência sexual no mundo todo", disse a ativista em mensagem publicado em seu site.

O Comitê Nobel Norueguês entregou hoje o prêmio Nobel da Paz a Nadia e ao ginecologista e cirurgião congolês Denis Mukwege, que trabalha há anos na recuperação física e psicológica de mulheres estupradas durante os conflitos armados.

No caso da iraquiana, o comitê avaliou sua condição de vítima e seu ativismo para denunciar os abusos sofridos pelos yazidis por parte do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que em 2014 começou o massacre de milhares de membros desta minoria religiosa curdo-iraquiana e escravizou para sua exploração sexual 3 mil meninas e mulheres.

"Como sobrevivente, estou agradecida por esta oportunidade de chamar a atenção mundial sobre a situação do povo yazidi, que sofreu inimagináveis crimes desde que começou o genocídio do EI, em 2014", afirmou Nadia, que durante três meses foi escrava sexual dos terroristas antes de conseguir fugir.

A ativista destacou que muitos yazidis poderão olhar para o prêmio que recebeu hoje e lembrar dos familiares que perderam e das 1.300 mulheres e crianças que ainda continuam em cativeiro.

"No meu caso, penso na minha mãe, que foi assassinada pelo EI, nas crianças com as quais cresci e que devemos honrar. A perseguição às minorias deve acabar", disse.

Nesse sentido, a ganhadora do Nobel pediu determinação para demonstrar que as campanhas genocidas "só fracassaram" e levaram seus responsáveis diante da Justiça.

Nadia também reivindicou comprometimento para reconstruir as comunidades devastadas pelo genocídio e ressaltou a necessidade de ajudar as vítimas acima de divisões culturais e políticas.

"Devemos não só imaginar um futuro melhor para mulheres, crianças e minorias perseguidas, devemos trabalhar de forma consistente para fazer isso acontecer, dar prioridade à humanidade, não à guerra", afirmou a jovem de 25 anos, que também aproveitou a ocasião para parabenizar Mukwege, um homem que ela "admira enormemente".