Arábia Saudita pagou US$ 100 milhões aos EUA em meio a buscas por jornalista

Arábia Saudita pagou US$ 100 milhões aos EUA em meio a buscas por jornalista

GERAL -   

Washington, 18 out (EFE).- O governo da Arábia Saudita transferiu US$ 100 milhões ao governo dos Estados Unidos em meio à crise provocada pelo desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi na Turquia, informou nesta quinta-feira à Agência Efe um funcionário do Departamento de Estado americano.

O pagamento era para trabalhos de estabilização na Síria e foi feito na terça-feira, coincidindo com a visita do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a Riad para debater o caso de Khashoggi, que desapareceu no último dia 2 depois de entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul.

O funcionário disse que a visita de Pompeo não tinha relação com os US$ 100 milhões e que o enviado especial dos Estados Unidos para a coalizão internacional contra o Estado Islâmico (EI), Brett McGurk, esteve na capital saudita na última sexta-feira para tratar do pagamento.

Em entrevista à Agência Efe, McGurk disse que a "transferência de recursos esteve em processo por muito tempo e não tem nada a ver com outros eventos ou com a visita do secretário".

O acordo entre Estados Unidos e Arábia Saudita para a estabilização da região nordeste da Síria, onde o EI ainda tem controle sobre algumas partes, foi assinado em 12 de agosto e "desenvolvido" para que o pagamento acontecesse no último trimestre do ano, como ocorreu, de acordo com o McGurk.

Khashoggi foi visto pela última vez com vida no dia 2 deste mês, quando entrou no consulado saudita em Istambul para retirar documentos que precisava para se casar com a noiva, de cidadania turca e que ficou esperando do lado de fora do prédio.

O pagamento gerou críticas na imprensa americana, e jornais como o "The New York Times" levantaram a suspeita de que foi uma forma de a Arábia Saudita pressionar os Estados Unidos.

Maior exportadora de petróleo do mundo, a Arábia Saudita foi o primeiro país que o presidente americano, Donald Trump, visitou ao chegar ao poder, e é um dos principais aliados dos EUA no Oriente Médio.