Congresso do Peru aprova relatório da Lava Jato sem incluir Keiko e García

Congresso do Peru aprova relatório da Lava Jato sem incluir Keiko e García

GERAL -   

Lima, 9 nov (EFE).- O Congresso do Peru aprovou nesta sexta-feira o relatório que recomenda denunciar 132 pessoas no capítulo peruano da Operação Lava Jato, entre eles os ex-presidentes Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski, mas não o ex-presidente Alan García nem a líder opositora Keiko Fujimori, investigados pelo Ministério Público.

O relatório da comissão parlamentar que averiguou o caso Lava Jato foi aprovado pelo plenário do parlamento, onde o fujimorismo tem maioria, e será enviado ao Ministério Público e à subcomissão de Acusações Constitucionais do Congresso.

O documento acusa as pessoas que participaram de supostos subornos e irregularidades de empresas brasileiras em 11 projetos de infraestrutura executados no Peru, que supostamente geraram ao Estado peruano um prejuízo de US$ 4,45 bilhões.

Toledo (2001-2006), cujo caso a procuradoria tramita há quase dois anos, é acusado de ter recebido US$ 20 milhões em subornos da Odebrecht em troca da adjudicação de vários trechos da estrada interoceânica do norte.

Toledo está à espera de que os Estados Unidos resolvam uma solicitação de extradição cursada pela Justiça peruana para que seja enviado à prisão preventiva por 18 meses enquanto continua sendo investigado pelos supostos crimes de lavagem de dinheiro, suborno passivo próprio e tráfico de influência.

O relatório também acusa Humala (2011-2016) de infrações constitucionais e imparcialidade de funcionários nas licitações adjudicadas a OAS e Odebrecht para o Centro de Convenções de Lima, o Gasoduto Sul Peruano e o projeto de regadio de Olmos.

Por sua parte, Kuczynski (2016-2018) é acusado de lavagem de dinheiro no projeto Olmos, o mesmo no qual a sua empresa de consultoria Westfield Capital cobrou US$ 782.000 a uma filial da Odebrecht por assessorias entre 2004 e 2007, quando ele era ministro do governo de Toledo.

Antes da votação, o fujimorismo e o Partido Aprista Peruano (PAP) rejeitaram uma iniciativa para incluir no relatório seus respectivos líderes, Keiko Fujimori e o ex-presidente Alan García (2006-2011), pelos seus nexos com empresas brasileiras imersas no relatório.

A congressista fujimorista Rosa Bartra, presidenta da comissão investigadora, argumentou que Keiko Fujimori não figura no seu relatório porque não foi funcionária pública nos casos investigados.

No caso de García, a comissão da Lava Jato decidiu exonerá-lo das acusações de conluio, suborno e negociação incompatível pelas irregularidades na construção da linha 1 do metrô de Lima, no qual supostamente a Odebrecht pagou subornos no valor de US$ 24 milhões.