Mulheres lideram reconquista democrata

Mulheres lideram reconquista democrata

GERAL -   

Com número recorde de candidaturas femininas, eleições à Câmara têm retomada da maioria democrata protagonizada por mulheres, com destaque para representantes de minorias. Fator Trump impulsionou engajamento na política.Um número recorde de mulheres foi eleito para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio mandato (midterms) desta terça-feira (06/11). A maior parte delas é do Partido Democrata, que reconquistou a maioria na Casa, atualmente dominada pelos republicanos, do presidente Donald Trump.

Um total de 237 mulheres disputou uma das 435 vagas da Câmara, maior número de candidatas já registrado. Ao menos 95 mulheres foram eleitas, superando o recorde de 84 congressistas da legislatura atual. Cerca de 80% das que concorreram à Câmara são democratas, e mais de 80 das que saíram vencedoras das urnas são do partido do ex-presidente Barack Obama.

Além de o número de candidatas ter sido recorde, muitas delas derrotaram homens brancos nas primárias de seus partidos. Elas também conseguiram mobilizar o eleitorado e desempenharam maior papel como doadoras que em eleições anteriores.

"Este não é apenas o ano das mulheres, este é o ano de todas as mulheres", comenta Cecile Richards, que foi presidente da organização Planned Parenthood por mais de uma década, destacando a diversidade entre as candidatas.

No Michigan e no Minnessota, foram eleitas as duas primeiras congressistas muçulmanas do país, Rashida Tlaib e Ilhan Omar, respectivamente. As democratas Sharice Davids (Kansas) e Debra Haaland (Novo México) também entraram para a história como as primeiras mulheres de origem indígena eleitas para o Congresso. O Texas elegeu duas mulheres latinas para a Câmara pela primeira vez.

Alexandria Ocasio-Cortez, democrata de Nova York de 29 anos de idade, tornou-se a mulher mais jovem da história a conquistar um assento no Congresso. Com raízes porto-riquenhas, Ocasio-Cortez é filha de uma faxineira e de um pai que morreu na faixa dos 40 anos de idade. Ao discursar após a eleição no bairro do Queens, ela agradeceu a seus apoiadores por fortalecerem "um movimento pela justiça social, econômica e racial nos Estados Unidos".

A também estreante na política Jahana Hayes será a primeira mulher negra a representar Connecticut no Congresso. Ela cresceu numa habitação social e ficou grávida do primeiro filho aos 17 anos, mas persistiu nos estudos até concluir um mestrado e se tornar professora. Aos 46 anos, ela não esperava a vitória nestas eleições. "Nada na minha vida diz que eu deveria estar aqui [na política]", afirma.

Além de Connecticut, o estado de Massachusetts também elegeu sua primeira representante negra para a câmara, Ayanna Pressley. Ela disse que as mulheres estão reagindo à "retórica divisiva" de Trump sobre raça, gênero e orientação sexual. Pressley disse que o retrocesso para a proteção dos direitos e liberdade civis promovido pela Casa Branca encorajou mulheres a votar, a entrar para a política ou a disputar um cargo eletivo mais alto.

Hoje integrante do Senado da Virgínia, a democrata Jennifer Wexton conquistou um assento na Câmara dos Representantes. Ela disse ter decidido partir do Legislativo estadual para o federal em resposta aos "constantes ataques de Trump contra mulheres, imigrantes, meio ambiente, imprensa livre, Judiciário independente".

"Eu não queria ter que olhar para os meus filhos daqui a cinco anos, dez anos, 20 anos, e dizer que eu não fiz tudo o que podia", diz.

As eleições de meio mandato deste ano eram vistas como um referendo sobre o governo Trump, quase dois anos depois de mulheres saírem às ruas de Washington e de outras cidades do país para protestar contra a posse do presidente republicano.

Em dezenas de entrevistas, candidatas e eleitoras do Partido Democrata disseram à agência de notícias Reuters ter a percepção de que o Congresso não está abordando assuntos importantes para elas – incluindo educação, saúde, controle de armas e imigração.

Muitas também citaram como impulso para entrar para a política o movimento #MeToo contra o assédio sexual, a eleição de Trump para a presidência apesar de ser alvo de uma série de acusações de má conduta sexual e a confirmação do juiz Brett Kavanaugh, também acusado de assédio, como integrante da Suprema Corte.

O apoio ao Partido Democrata nas urnas nesta terça-feira foi particularmente grande entre as mulheres. Em pesquisa boca de urna Reuters/Ipsos, 55% das entrevistadas disseram apoiar um democrata para a Câmara, mais que os 49% registrados em 2014.

No Senado, as mulheres ocupam hoje 23 assentos e devem ficar com ao menos 22 na próxima legislatura. Dezesseis mulheres se candidataram - quatro à reeleição - para governar um dos 36 estados em disputa. Nove foram eleitas.

LPF/rtr/ap

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