EUA têm recorde de mortes por abuso de drogas em meio a surto que afeta até gestantes

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Enquanto o governo dos Estados Unidos trava uma guerra contra a epidemia de dependência em opioides no país, um relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano revelou que o número de mortes por overdose cresceu de forma expressiva no último ano e superou as estatísticas de vítimas fatais em acidentes de carro e por ferimentos de armas de fogo. Além do aumento alarmante, autoridades ligadas à saúde estão atentas ao crescimento do número de grávidas que se tornaram dependentes das substâncias analgésicas, que reproduzem efeitos da morfina e do ópio.   Segundo o CDC, 72 mil pessoas morreram de overdose no país em 2017, o equivalente a oito mortes por hora. O número é 7% maior do que no ano anterior, e o crescimento foi registrado em 38 dos 50 estados americanos - em Nebraska, os números são os mais graves: houve 33,3% mais óbitos. As estatísticas superam, por exemplo, o número de perdas americanas em toda a Guerra do Vietnã, ou os 63.880 homicídios ocorridos em 2017 no Brasil, que tem população menor do que a dos EUA, segundo o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.  Ainda de acordo com o CDC, a epidemia expandiu um fenômeno ainda mais grave: o número de grávidas dependentes de opioides quadruplicou em 15 anos. O uso exacerbado dos analgésicos, segundo o órgão americano, traz riscos à gestação. Além disso, caso sobreviva, o bebê tem grandes chances de desenvolver o mesmo vício da mãe e sofrer com crises de abstinência após o nascimento.  Após a divulgação dos dados, o presidente dos EUA, Donald Trump, orientou na última quinta-feira o procurador-geral do país, Jeff Sessions, a processar fabricantes de opiáceos, como oxicodona e fentanil, localizadas no México e na China. Desde que a Casa Branca classificou o problema como uma crise de saúde pública, em outubro de 2017, o governo triplicou o número de processos pela venda de fentanil e chegou a condenar cidadãos chineses pela prática. Segundo o “Washington Post”, boa parte das pílulas são processadas por cartéis no México com produtos químicos comprados da China em fóruns pela internet. O opiáceo pode ser receitado, mas a venda ilícita permite o consumo sem limites. A epidemia, que hoje vive seu ápice, teve início no início da década em zonas rurais, mas se espalhou rapidamente pelas áreas urbanas. O CDC atribui o fenômeno à prescrição médica descontrolada dos opioides, que têm grande capacidade de causar dependência. As estatísticas levaram as autoridades a restringir a venda de opiáceos nos últimos três anos, e dependentes recorreram a alternativas mais baratas, como o fentanil, em grandes quantidades. Muitas pílulas vendidas pelo mercado paralelo são adulteradas com drogas sintéticas sem o conhecimento dos usuários, tornando o opioide 50 vezes mais poderoso do que a heroína.  O problema não se restringe aos analgésicos. Em New Haven, no estado de Connecticut, cem jovens foram internados desde quarta-feira em uma overdose em massa causada por maconha sintética, chamada de “K2” e cem vezes mais poderosa do que a erva, que havia sido distribuída em um parque próximo à Universidade Yale. Recentemente, episódios da cultura pop trouxeram à tona o drama dos EUA. A cantora Demi Lovato, 26, sobreviveu a uma overdose de opioides no fim de julho. O rapper LiL Pee, 21, morreu em novembro de 2017 também vítima de opiáceos. * Com supervisão de Denis Kuck Pena capital com opioides LINCOLN - O estado americano de Nebraska executou na última terça-feira, pela primeira vez na sua história, um detento com o auxílio do opiáceo fentanil, acompanhado de duas outras substâncias que também não haviam sido testadas. Carey Dean Moore, de 60 anos,  é também o primeiro condenado a ter a pena capital cumprida no estado desde 1997.  Os parlamentares de Nebraska aboliram a pena de morte em 2015, mas um referendo popular realizado no ano seguinte restituiu a prática. Moore aguardava pelo cumprimento da execução no corredor da morte há 38 anos, quando foi condenado pelo assassinato de dois taxistas em 1979.  O opioide foi injetado no detento junto de um sedativo, um relaxante muscular e de cloreto de potássio. O processo, no entanto, não foi fácil. O laboratório alemão Fresenius Kabi tentou impedir a execução de Moore, alegando que as substâncias foram produzidas pela companhia e adquiridas ilegalmente. O estado de Nebraska, no entanto, acabou apoiado pelas decisões de um juiz federal e de uma corte de apelações. 

Fonte: http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2018/08/18/eua-tem-recorde-de-mortes-por-abuso-de-drogas-em-meio-a-surto-que-afeta-ate-gestantes/
 

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