Patético, Tite não mudará nada

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Depois da coletiva de Tite fiquei em dúvida: conquistamos o hexa na Rússia e não me dei conta disso? Afinal, o treinador foi extremamente econômico ao falar de seus erros (na verdade, no duro mesmo, não admitiu nenhum) e generoso em ressaltar as qualidades de seu trabalho - fizemos “o melhor segundo tempo” (na derrota para a Bélgica, que nem sequer chegou à final), “o Roberto Martinez (técnico belga) me disse que tiveram sorte e que nós merecíamos ter vencido”; fizemos “mudanças de planos e de sistema tático”, contra mexicanos e belgas, enfim, não disse, mas deu a entender: beiramos a perfeição. A entrevista, como um todo, foi desastrosa. A começar pelo preâmbulo das três fases que a comissão técnica pretende nesse novo ciclo de trabalho, explicadas de forma confusa e hesitante pelo coordenador Edu Gaspar. A partir daí, Tite assumiu a conversa com a falsa promessa de que responderia a qualquer pergunta. Não respondeu a várias. O assunto Neymar, por exemplo, foi abordado de forma evasiva e condescendente com o jogador. Tite não quis falar sobre os milhares de memes que condenaram e ridicularizaram as exageradas quedas e simulações do nosso camisa dez, preferindo responder com louvações: - Neymar merece elogios pelo comportamento e disciplina conosco. Ora bolas, foi exatamente o (mau) comportamento dele que o tornou uma piada mundial. E sua “disciplina” em campo o fez ser mal visto por todos os árbitros da Copa, a ponto de um deles voltar atrás na marcação de um pênalti sobre ele. A pergunta era sobre alhos e Tite, em seu típico estilo de encantador de serpentes, respondeu sobre bugalhos – referindo-se não às quedas, simulações e reclamações, mas ao período de fisioterapia e treinamento do jogador, após a fratura e a cirurgia no quinto metatarso. De forma demagógica abordou também a permissiva proximidade das famílias e “parças” dos atletas na Rússia.  - Se um dia tiver que impedir a família de ficar perto, vou fazer outra coisa. Isso não existe. Desde que mantenha situações de disciplina e sem privilégios, que foi o que nós fizemos. Disciplina e sem privilégios? E o pai do Neymar (e suas confusões) no hotel da seleção? E o “parça” de Gabriel Jesus filmando e postando nas redes um treino supostamente secreto? E os cabelereiros circulando à vontade pelos bastidores? Teria sido, no mínimo, honesto, dizer que houve excessos que serão corrigidos. Tite, entretanto, não quis fazer mea-culpa alguma. Se fez de vítima, falando do tempo que se isolou, para digerir o fracasso (no qual teve importante parcela de culpa), se lamentou pelo que as críticas podem machucar sua família, se perdeu em platitudes sobre jogadores de meio-campo, revelou seu voto para o melhor do mundo (Modric, Salah e Cristiano Ronaldo) e comentou, sem muita convicção, a absurda convocação que fez para os dois amistosos inexpressivos que o Brasil disputará contra os Estados Unidos e El Salvador. Resumo da ópera: foi patético. ? Absurdo e proteção Escrevi ontem e repito hoje: é um disparate, um descalabro, uma palhaçada sem tamanho, a seleção brasileira desfalcar os clubes brasileiros para dois joguinhos ridículos e sem importância alguma, como os que serão feitos no mês que vem, nos EUA. Demagogo, como de hábito, Tite ainda disse que se preocupou em tirar apenas um jogador dos quatro semifinalistas da Copa do Brasil – mentira. Foram convocados Lucas Paquetá, do Flamengo; Fagner, do Corinthians e Dedé, do Cruzeiro. Do Palmeiras (clube do banido ex-presidente Marco Polo del Nero, que continua a mandar na CBF, mesmo fora do poder) não foi chamado ninguém, embora o próprio Tite tenha chegado a se referir a Bruno Henrique, na coletiva. Isso para não falar de Dudu. Qual o sentido disso? Onde está a propalada coerência? E o equilíbrio? E a transparência? Vamos falar sério: que diferença faria para essa “primeira fase” abrir mão desses três jogadores? Observado mesmo, será apenas Paquetá, pois Fagner (29 anos) e Dedé (30), veteraníssimos e mais que conhecidos, não precisam mais de nenhum tipo de análise e, dificilmente, estarão no Mundial do Catar. E Paquetá tem tempo de sobra para ser avaliado mais pra frente. Tite pode falar o que quiser, mas não convencerá ninguém de que essa toda essa história malcheirosa não teve como principal objetivo beneficiar o time de Felipão. ? Faz sentido? Qual o sentido de se convocar o jovem goleiro rubro-negro Hugo, de apenas 19 anos, sem passagem alguma pelos profissionais do Flamengo, e não relacionar, no mínimo para observação, o maior talento jovem do futebol brasileiro, Vinicius Jr., já provado e aprovado no time de cima do Fla? E Paulinho, ex-Vasco, e Rodrygo, ainda no Santos, e Militão, que acaba de sair do São Paulo. A fase não é de observação? Conversa pra boi dormir... ? Patota Jogadores como Willian (30) e Thiago Silva (33), ambos com duas Copas perdidas no currículo, e Filipe Luís (33) e Renato Augusto (30), com uma, não têm mais nada a acrescentar à seleção. Ainda que se pense numa renovação paulatina e na necessidade de formar um time forte, para a Copa América, do ano que vem, a convocação deles não faz sentido, a não ser pela proximidade que têm com o treinador. Uma lástima! Ou será que Tite está com medo de perder de El Salvador? Me engana que eu gosto A Copa América do ano que vem, no Brasil, será mais um torneio do tipo “Me engana que eu gosto” (como era a Copa das Confederações). Nos iludiremos com vitórias sobre sul-americanos e afins e depois, penaremos, como penamos na Rússia, até contra os europeus de segundo escalão...

Fonte: http://www.jb.com.br/futebol-cia/noticias/2018/08/18/patetico-tite-nao-mudara-nada/
 

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