Carta aberta à presidente do Supremo Tribunal Federal

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Presidente Cármen Lúcia,  Pretendia fazer esse pleito pessoalmente, por ocasião da visita a Vossa Excelência do sr. Adolpho Perez Esquivel, na pequena comissão de representantes da sociedade brasileira. Mas isso não foi possível. Resta-me faze-lo por esta carta, animada por suas demonstrações de solidariedade à luta e à memória de minha mãe, já feitas publicamente e diretamente a mim. As mulheres mineiras, como são ambas vocês, têm tradição em nossa História de bravura e compaixão. Assim foram, na Inconfidência, Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, e, na Revolução de 1930, Tiburtina Alves, que, em suas épocas, na defesa de causa maior, desafiaram o medo e o senso comum. No momento, a causa extrema é a da nossa Democracia. Faz-nos aflição nos sentirmos na iminência de perde-la, abalada pela disseminação de um ódio que contamina e torna violenta a nossa sociedade, pela primeira vez na História republicana dividida radicalmente. Amigos rompem relação, parentes não se falam, vizinhos deixam de se cumprimentar. Não houve precedentes em nossa sociedade, a não ser nas ditaduras, quando o temor de retaliações e estigmas levava pessoas a evitarem umas às outras. Felizmente, lá se vão mais de trinta anos do último período de exceção. Contudo, os ares da excepcionalidade voltam a nos sufocar, confundir e separar. Urge que a Constituição Brasileira volte a ser cumprida em sua integralidade o quanto antes, o tempo atropela o desenrolar dos fatos, e as consequências são imprevisíveis. Peço a Vossa Excelência e aos demais membros da Corte que ouçam as vozes, não as que lhes são mais próximas, mas as das ruas. Que atentem para o clamor popular, que se faz revolta pelo descrédito que agora inspiram ao povo as nossas instituições. Vemos manifestações em lugares públicos, marchas, movimentos, até greves de fome ocorrerem, na esperança de lhes atrair a atenção. De lhes merecerem um olhar ou até mesmo a preocupação. Por favor, sra. Ministra, Deus lhe deu esta missão importante de apaziguar a Nação com seus atos, conduzindo este momento da História. Sei que o Supremo de nosso país tem sido capaz de atos de coragem que desafiam o próprio tempo. Como o do saudoso ministro Adauto Lúcio Cardoso, outro mineiro. Primo-irmão de minha mãe, em família divergiam no pensamento político, mas eram convergentes na causa comum das liberdades democráticas. Ministra Carmen Lúcia, lhe rogo que paute as Ações Declaratórias de Constitucionalidade, que colocam em questão o entendimento firmado pela Corte de autorizar o cumprimento de pena após condenação em segunda instância. Esta é a reivindicação que temos percebido no clamor das ruas, levando até sete militantes de movimentos populares a completarem hoje 22 dias de greve de fome no Distrito Federal. Vamos apascentar os corações deste país, antes que tenhamos que verter lágrimas por esse sacrifício em seu momento extremo, que parece estar próximo. Sei de sua bravura, peço-lhe, também, a compaixão. Muito respeitosamente,  Hildegard Angel ----------- Maré brava 1  São muitas as histórias e denúncias, desde o início da Operação na Maré, reunindo Forças Armadas, policiais do 22° Batalhão, do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais. A começar pelo desabafo de um policial militar gravado por celular ao ser confrontado por moradores: “A gente está aqui desde quatro horas da madrugada. De pé, sem comer, sem ir no banheiro, e essa gente vem aqui pra fazer tumulto. Como é que você quer que eu tenha calma?”. Evidência da falta de inteligência nessas operações, cujo comando precisa entender de uma vez por todas que policiais são humanos, não são máquinas. Maré brava 2  Já os moradores dessas comunidades são os que mais sofrem. A ONG Redes da Maré de Direitos recebeu várias denúncias de violação de direitos, entre elas, arrombamento de carro e invasão de casas sem mandado de busca e apreensão, deixando um rastro de destruição em móveis e eletrodomésticos. Na comunidade da Nova Holanda, as forças do Estado chegaram a arremessar um cachorro pela janela do terceiro andar de um prédio. O poodle sobreviveu. Maré brava 3  Outra invasão sem mandado, à galega, pé na porta, foi pelo Exército, na Arena Carioca Dicró, projeto parceiro da Secretaria Municipal de Cultura. Sem aviso prévio ou qualquer documento que justificasse a ação, o espaço foi ocupado de forma arbitrária e indevida, obrigando ao cancelamento das atividades internas, com o repúdio e as denúncias do Observatório de Favelas de que “a finalidade da Arena de construir alternativas para os cidadão com direitos, dos territórios populares, diverge totalmente de práticas militares bélicas e violentas baseadas numa lógica de guerra”. Maré brava 4  Momento tenso quando o corpo do jovem chamado Belém, um dos mortos na operação, envolto em um cobertor cinza, foi trazido por cerca de dez policiais. Uma jovem desesperada furou o cordão policial que levava o corpo, acusando os policiais de terem retirado o corpo alterado a cena do crime, antes de a perícia ser feita. A gritaria foi um estopim. Um dos policiais apontou seu fuzil para um grupo e outro disparou tiros para o alto. O grupo, aterrorizado, se dispersou. Houve mérito  Um dos netos de Roberto Marinho foi promovido ontem à nova diretoria geral de canais e conteúdo da Globosat. Idealizador do canal Gloob e responsável pela Viu Hub, plataforma de conteúdo e soluções digitais da programadora, Paulo Marinho passa a supervisionar as áreas de estratégia, gestão e criação de conteúdo e programação dos eixos de variedades, entretenimento e infantil. Com a novidade, Marinho só responde ao todo poderoso Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat.  Espelho da alma  Há homens públicos que, na disputa política, fazem-se tão pequenos que a gente até encabula. Foi o que demonstrou o artigo de Fernando Henrique Cardoso no Financial Times de ontem.  ------------ BORBULHANTES QUANDO ENTRAMOS num quarto de hospital, somos orientados a desinfetar as mãos com álcool gel, assepsia para não contaminar os ambientes e os doentes, evitando infecções... ESSES CUIDADOS são inócuos se forem apenas dos visitantes. A equipe hospitalar também deve seguilos, abrangendo auxiliares de enfermagem, copeiros, todo o pessoal de serviço, quem serve os lanches, limpa os quartos... MAS NÃO há álcool nas mãos que desinfete os funcionários uniformizados do Copa D’Or da Rua Figueiredo Magalhães, em Copacabana, com o hábito de se sentar nas grades dos canteiros da rua, no meio fio, quase no chão, contaminados até por xixi e fezes de cachorros... PERGUNTADO POR um vizinho que passeava o cachorro se eles não têm local de lazer no hotel para os intervalos de folga, um funcionário disse “não”... FATO É QUE, havendo ou não local de lazer, a direção desse hospital, se desconhece onde eles ficam nas horas de folga, agora já sabe. Até com fotos, aqui na página... ESPERAMOS QUE corrijam isso, pois infecções hospitalares são frequentes e fatais em hospitais da cidade. Tantos são os casos... POR FALAR em passear cachorros, aconteceu semana passada, em Amsterdam, o maior Wold Dog Show já realizado... SUPEROU OS Dog Shows de todos os anos anteriores, em Milão, Paris e Leipzig. Atraiu 40 mil apreciadores de cachorros e mais de 33.500 cães de 74 países. Foram cerca de 200 juízes do mundo na competição com 8.500 cães, de 350 criadores... EM 2020, o World Dog Show será no Brasil, em São Paulo... VAMOS TER que ralar para ter um evento à altura do de Amsterdam, com 150 stands de artigos para cachorros e uma Equipe de Bem Estar para garantir água fresca aos cachorros participantes, controlar os tempos excessivos na mesa de aparagem de pelos e sentados no banco, e resgatar os bichinhos esquecidos em automóveis. Foi tolerância zero para seus donos, punidos com a imediata exclusão do show... ----------- O crédito das fotos do lançamento da fotobiografia de Fernanda Montenegro, no Sesc, diferente do que foi publicado, são de Veronica Pontes.  ---------- DURANTE O SEMINÁRIO “Elas por Elas”, organizado pelo Conselho Nacional de Justiça sobre ‘a mulher no poder estatal e na sociedade’, a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, e a ministra Rosa Weber, presidente do TSE, fizeram um apelo às brasileiras para que exerçam com consciência seu direito a voto, de modo a aumentar a sua participação na política. Recado dado. Agora é que são elas. ---------- Com João Francisco Werneck 

Fonte: http://www.jb.com.br/hildegard-angel/noticias/2018/08/22/carta-aberta-a-presidente-do-supremo-tribunal-federal/
 

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