Lula cada vez mais líder das pesquisas no Brasil

Últimas notícias -    

As pesquisas de opinião se sucedem, confirmam e ampliam a vantagem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção e lavagem de dinheiro, teria se pudesse disputar as eleições de outubro. A mais recente, publicada pelo Datafolha nesta quarta-feira (22) com base em 8.433 entrevistas, dá ao líder do PT 39% das intenções de voto, frente às 30% de junho. Em segundo lugar, está o deputado Jair Bolsonaro com 19% (17% em junho). Nenhum dos outros 11 candidatos supera a barreira dos 10%. Em um segundo turno, Lula, de 72 anos, derrotaria Bolsonaro por 20 pontos de vantagem (52% a 32%, com 14% de votos em branco e nulos, e 2% de indecisos); e por uma margem ainda maior qualquer outro eventual adversário. Mas Lula, que desde abril cumpre uma pena de 12 anos e um mês de prisão, provavelmente terá a sua candidatura impugnada devido à aplicação da Lei da Ficha Limpa, que determina que nenhum condenado em segunda instância possa se apresentar a uma eleição. - Sem Lula, vencem os indecisos - Em uma eleição sem Lula, o apoio a Bolsonaro passaria de 19% para 22%; seguido pela ambientalista Marina Silva, com 16%. E um segundo turno entre eles, a ex-ministra do Meio Ambiente derrotaria o capitão da reserva por 11 pontos de vantagem (45% a 34%). Mas sem o ex-presidente, o número de pessoas que se declaram "sem candidato" passaria de 14% a 28%, superando os votos obtidos por qualquer outro postulante. O companheiro de chapa de Lula, Fernando Haddad, que poderia substituí-lo, obteria apenas 4%, segundo a pesquisa, feita em 20 e 21 de agosto, com uma margem de erro de dois pontos percentuais. A transferência de votos do ex-presidente (2003-2010) também parece difícil, dado que apenas 31% dos eleitores de Lula afirmam que votariam em quem ele indicar, frente aos 48% que não tomariam essa decisão. O crescimento de Lula já foi registrado esta semana por outras duas pesquisas (da MDA e do Ibope, com 2.002 entrevistados), que atribuíam ao ex-presidente 37% das intenções de voto. Para José Augusto Guilhon Albuquerque, professor emérito de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), uma pesquisa é, antes de tudo, "um indicador de popularidade", e se a de Lula resiste e cresce, isso se deve a "uma estratégia muito clara: se manter como a grande referência a qualquer custo", comprometendo as chances de sobrevivência do PT e de vitória da esquerda. "Lula é uma pessoa que domina o panorama político brasileiro nos últimos 20 anos ou mais", fazendo com que "quando ele não aparece, a indecisão do eleitorado seja muito grande". - Nova desvalorização do real - A força de Lula e a dificuldade de crescimento dos candidatos favoráveis às políticas de austeridade do presidente Michel Temer impactam os mercados do país. O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do PSDB, obtém somente 6% dos votos em uma eleição com Lula, e 9% em uma sem ele. Na terça-feira, o dólar era negociado a R$4,03 pela primeira vez desde março de 2016, e nesta quarta-feira e a moeda brasileira continuou caindo até 4,08%. Ao longo do ano, o real perdeu 20% do seu valor frente à divisa americana. "A falta de definição (do eleitorado) leva dúvidas aos investidores sobre os rumos da economia. Há muitas dúvidas sobre a capacidade do próximo governo de realizar o que a gente chama de um ajuste fiscal", disse à AFP Mauro Rochlin, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro.

Fonte: http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2018/08/22/lula-cada-vez-mais-lider-das-pesquisas-no-brasil/
 

 */ ?>