Senador pelo Rio de Janeiro

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A cultura política centralizada da sociedade brasileira enfraquece o debate político nas campanhas legislativas. Além disso, a eleição majoritária para o Senado é outro “nó” em nosso sistema político representativo. O mandato de senador é de oito anos e os suplentes (em muitos casos, desconhecidos até das pessoas que atuam no meio político) acabam parte do mandato provisoriamente ou definitivamente. Surgem os “senadores sem voto”. Portanto, na eleição do Senado deve-se conhecer tanto o titular quanto os suplentes, o que aumenta o papel público da imprensa ao oferecer informações e promover entrevistas ao longo da campanha. O processo eleitoral para as duas vagas ao Senado no Estado do Rio de Janeiro está sob pressão da profunda crise dessa unidade federativa, o que exigirá um amadurecimento político em tempos de “tsunami” de votos brancos e nulos. Atravessamos seguidos meses de aumento de desempregados sem que haja uma expectativa de reversão desse cenário na construção civil e na indústria naval em curto prazo. A crise fiscal anulou a capacidade de investimento público. O acordo de Recuperação Financeira foi assinado com a União como aparente desdobramento das linhas da “PEC da Maldade” (aquela que congelou os gastos públicos para os próximos 20 anos).  Se os serviços públicos (saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, habitação popular etc.) já estavam precarizados, a tendência será seu agravamento para os próximos anos induzindo um “arrocho social” capaz de criar uma ascensão da concentração de renda. O seu impacto negativo no Rio de Janeiro precisa constar no debate dos postulantes às vagas ao Senado da República. Entretanto, ainda não se abriram espaços com visibilidade para ouvirmos as propostas dos candidatos que surgem nas eleições deste ano, em muitos casos, como resultado de acordos partidários ao contrário de imposição de um programa de articulação política entre o ente federativo e a União via bancada dos senadores. O cenário político fluminense não indica que a saída seja o “atalho” da aventura extremista e do sectarismo, pois se somaram ainda as implicações de uma crise do bloco político hegemônico por mais de uma década. O transformismo político pode aprofundar o campo conservador através do viés da “antipolítica”. Portanto, o diálogo da grande política é uma das exigências a serem observadas no campo da competição eleitoral, que implique na revisão da Emenda Constitucional 95 (“arrocho social”). Esse poderia ser o teor para um debate eleitoral ao Senado que contribua para evitar a priorização da eleição do governador. Um projeto de política deve orientar a escolha de um senador pelo Rio. * Mestre em Sociologia e professor de História

Fonte: http://www.jb.com.br/artigo/noticias/2018/08/23/senador-pelo-rio-de-janeiro/
 

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