Épico mais pra Marx do que pra ‘Narcos’: confira crítica de 'Escobar: A traição'

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Nunca faltaram artesões autorais ao cinema da Espanha. É uma pátria que nos deu Luis García Berlanga (“El verdugo”), Carlos Saura (“Cría cuervos”), Bigas Luna (“Ovos de ouro”) e Isabel Coixet (“Demasiado viejo para morir joven”), sem falar em Luis Buñuel em seu momento “Tristana” (1970). Mas, nas últimas três décadas, o legado cinematográfico espanhol de maior peso foi o de Pedro Almodóvar, um narrador pleno, cuja ousadia ofuscou (não por culpa dele, mas por preguiça midiática) outros realizadores de seu país, sobretudo quem fez do inconformismo um modo de expressão, como Fernando León de Aronoa.  Virtuoso nas mais variadas latitudes (em especial na habilidade de gerar distanciamento crítico) de seu tônus épico, aplicado a fórmulas dos filmes de gângster e às cartilhas da cinebiografia, “Escobar: A traição” é a súmula do ethos desse cronista dos desajustes financeiros das Américas. Aronoa ficou conhecido aqui, em 2003, por “Segundas-feiras ao sol”, onde estabeleceu uma parceria (e amizade) com Javier Bardem. E, além dessa conjugação de talentos, ele se firmou como exemplar assumido da fauna dos “cineastas políticos”, fundindo procedimentos documentais à ficção. Por isso, o realismo de “Loving Pablo” aparenta ser tão cortante (e tão familiar), sem mecanismos de causalidade como os da série “Narcos”, também ligada ao narcotraficante colombiano Pablo Emílio Escobar Gaviria (1949-1993). Bardem vive o barão da droga, humanizando o mito do Mal, potencializando seus pecados e suas gentilezas sinceras. À moda “Scarface” (o de Brian De Palma, de 1983), o filme utiliza memórias da apresentadora de TV Virginia Vallejo (a partir de seu ótimo livro de memórias, “Amando Pablo, odiando Escobar”) para explorar como o chefão da Colômbia construiu sua mitologia. Penélope Cruz, mulher de Javier, compõe Virginia como uma figura complexa, vítima das circunstâncias, mas também da vaidade. Embora trema em sazonais derrapas de montagem, o longa-metragem impressiona por sequências de ação impecáveis e por uma reflexão marxista, inerente à obra de Aronoa. (R.F.) *Rodrigo Fonseca é roteirista e crítico ____________ ESCOBAR: A TRAIÇÃO: **** (Muito Bom) Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom ____________

Fonte: http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2018/08/23/epico-mais-pra-marx-do-que-pra-narcos-confira-critica-de-escobar-a-traicao/
 

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