Pinceladas de inflamada atuação: confira crítica de 'Gauguin'

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Diante do lastro imagético deixado por narrativas arejadas pela experimentação formal como “O mistério de Picasso” (1956), de Henri-Georges Clouzot, “Van Gogh” (1991), de Maurice Pialat, e “Basquiat” (1996), de Julian Schnabel, a crítica costuma exigir das cinebiografias de artistas plásticos uma ousadia que espelhe o temperamento de seus personagens centrais. O instinto de ousar, inegavelmente, tira os filmes biográficos da modorra do simples registro, como se vê em “Camile Claudel 1915” (2013), de Bruno Dumont. Mas “experimentar” não é um verbo obrigatório no cinema, cuja linguagem mais clássica, domesticada, merece aplausos se bem utilizada, como se vê em “Gaugin – Viagem ao Taiti”, de Edouard Deluc. Sua câmera peca pela mansidão excessiva. Mas, no centro de cada plano, há um Vincent Cassel inflamado, devastador, o que compensa a falta de ambição visual de seu realizador. Coube a ele viver o pintor Paul Gauguin (1848-1903) no terço final de sua vida, na época de obras como o quadro “De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?” e o busto “Tête tahitienne”. Há, na maneira visceral como Cassel encarna Gauguin o artista, uma degradação física nítida. Entediado com o impressionismo europeu, o pintor desencadeia um estilo figurativo, marcado por com telas carregadas de simbolismo e , com traços que, em vez de descrever, apenas sugerem. As viagens ao Taiti e a mudança para as Ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa, marcam sua carreira, não apenas pela imersão no colorido das matas e do artesanato dos povos locais, mas pela liberdade. O ônus de ser livre é o debate central do roteiro filmado por Deluc. (R.F.)  ____________ GAUGUIN: *** (Bom) Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom ____________

Fonte: http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2018/08/23/pinceladas-de-inflamada-atuacao-confira-critica-de-gauguin/
 

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