A ditadura por trás do prazer: confira a crítica de 'Histórias que nosso cinema (não) contava'

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A diretora Fernanda Pessoa teve um daqueles trabalhos tidos como ‘impossíveis’: assistir cerca de 130 filmes da chamada pornochanchada, para traçar através deles um panorama não do movimento (o que já seria interessante), mas que ela também realiza de quebra. O interesse de Fernanda era a respeito do período da ditadura, se o movimento teria se manifestado sobre um dos períodos mais sombrios da nossa história. Considerado de viés escapista, a cineasta consegue reler os tempos de repressão militar com eficiência ímpar. Com um trabalho de roteiro e montagem exemplar, que traçam um caminho linear de maneira inteligível de fácil comunicação, Fernanda teve um trabalho de cinco anos entre assistir, escrever o roteiro e concluir o complexo processo de edição, que fala tanto sobre o tema proposto pela mesma e também serve como retrato de um cinema marginalizado e colocado em lugar de indigência da nossa cinematografia. O trabalho da diretora ressignifica o olhar para as obras, ao dar-lhes valor histórico e pensamento crítico, alguns até muito claros. Sua narrativa refaz as nuances do período e cria um diálogo com a realidade vivida entre os anos 1960 e 1970. Ainda que tenham sua constituição de teor machista atestada e mantida, o longa de Fernanda trata o gênero de forma insuspeita, e até mostrando que, mesmo no universo, existiam personagens femininas transgressoras à época e ao sistema, uma cacofonia rica de analisar no conjunto total. O trabalho de Fernanda não à toa recebeu inúmeros prêmios em festivais por onde passou, incluindo internacionais. Trata-se de um longa que, acima de tudo, radiografa o próprio cinema brasileiro e sua capacidade de comunicação, o que por si só já o transforma em obrigatório. (F.C.) ____________ HISTÓRIAS QUE NOSSO CINEMA (NÃO) CONTAVA : *** (Bom) Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom ____________

Fonte: http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2018/08/23/a-ditadura-por-tras-do-prazer-confira-a-critica-de-historias-que-nosso-cinema-nao-contava/
 

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