<p>A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos pediram neste sábado (15) que o fornecimento de energia no Golfo seja garantido, dois dias após ataques contra petroleiros, um dos quais se dirigia para um porto dos Emirados.</p><p>A tensão na região aumentou ainda mais na quinta-feira após os ataques a dois navios no Golfo de Omã, rapidamente atribuídos pelos Estados Unidos ao Irã, que negou qualquer envolvimento.</p><p>Os EAU pediram às potências mundiais que “cooperem para assegurar a navegação internacional e o acesso à energia”, em declarações do seu ministro das Relações Exteriores, o xeque Abdullah bin Zayed Al-Nahyan, durante uma cúpula na Bulgária.</p><p>A Arábia Saudita, aliada dos Emirados e grande rival regional do Irã, pediu por sua vez uma resposta “rápida e decisiva” às ameaças contra o fornecimento de energia.</p><p>”Deve haver uma resposta rápida e decisiva para a ameaça ao abastecimento de energia criada pelos recentes ataques terroristas no Golfo”, disse o ministro saudita da Energia, Khalid Al-Falih, de acordo com a conta do Twitter do ministério.</p><p>Os ataques ocorreram perto do Estreito de Ormuz, através do qual transita um terço do petróleo transportado por via marítima. Os preços do petróleo dispararam desde então.</p><p>O ministro dos Emirados, citado pela agência oficial de seu país, WAM, também pediu uma “desescalada”, em meio a uma guerra verbal entre Washington e Teerã.</p><p>”A região é complexa e tem muitos recursos, de gás ou petróleo, que são necessários para o mundo. Queremos que o fluxo desses recursos permaneça seguro para garantir a estabilidade da economia mundial”, declarou.</p><p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou na sexta-feira o Irã pelos ataques, baseando-se em um vídeo postado pelo Pentágono mostrando tripulantes do que parece ser um navio da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime iraniano, retirando “uma bomba não detonada” do casco de um dos navios atacados.</p><p>O Irã negou qualquer responsabilidade e julgou as acusações americanas “infundadas”.</p><p>- Carga altamente inflamável -</p><p>Alvo de um dos ataques, o “Kokuka Courageous”, um cargueiro japonês, seguia neste sábado em direção aos Emirados, segundo informou seu proprietário.</p><p>”Ainda não sabemos se o petroleiro vai para Khor Fakkan ou Fujairah, porque (as duas cidades) estão muito próximas umas das outras”, disse o porta-voz do operador, que também não sabia quando o navio chegaria ao seu destino.</p><p>O “Kokuka Courageous” sofreu disparos na quinta-feira no Golfo de Omã. Os 21 tripulantes foram resgatados. Eles disseram que viram um “objeto voador” em direção à embarcação, logo antes de uma explosão.</p><p>Segundo o operador do navio, a carga de metano está intacta. Quando chegar ao porto, especialistas tentarão transferir a carga altamente inflamável para o cais, acrescentou um responsável citado pela imprensa estatal japonesa que não quis revelar sua identidade.</p><p>”Do ponto de vista da energia mundial, é necessário que a comunidade internacional administre conjuntamente” essa situação, considerou neste sábado o ministro do Comércio japonês, Hiroshige Seko, durante reunião do G20 sobre energia e meio ambiente.</p><p>O outro navio sob ataque, que transportava nafta, um produto petrolífero, foi rebocado para fora das águas iranianas e será submetido a uma avaliação dos danos causados, declarou uma porta-voz do seu operador.</p><p>”Os 23 membros da tripulação do ‘Front Altair’ estão sãos e salvos”, disse a porta-voz.</p><p>O “Front Altair”, propriedade de um construtor naval cipriota de origem norueguesa, foi atingido por três explosões que causaram um incêndio finalmente controlado.</p><p>No mês passado houve um incidente similar quando quatro navios foram atacados ao largo das costas dos Emirados Árabes Unidos. Na ocasião, Washington também acusou Teerã, que negou qualquer envolvimento.</p><p>O Irã ameaçou em várias ocasiões fechar o estratégico Estreito de Ormuz em caso de confronto com os Estados Unidos.</p><p>Os iranianos “não vão fechar (o estreito), ele não fechará, não fechará por muito tempo e eles sabem disso, já foram contados nos termos mais duros”, alertou Trump na sexta-feira.</p><p>burs-gw/par/cgo/mdz/mar/al/mr</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense