Se você produzisse um filme inspirado em sua vida, qual seria o desfecho? O artista visual catarinense Evandro Machado não só está realizando o seu como também já tem o final definido: a morte do próprio autor. A convite do Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), desde o início de dezembro, Evandro realiza uma residência artística dentro do programa Clarabóia, onde apresenta o seu projeto “O Termo”, que consiste em uma série de vídeos animados culminando em um grande filme no futuro. O mais recente foi produzido no fim do mês passado e está em exibição na Sala de Vídeos do MASC até o próximo dia 6.

São 11 vídeos até o momento, sendo produzido um por ano, cada qual com duração de 3 minutos e 33 segundos. O tempo, justifica Evandro, é uma analogia à ideia de continuidade e “quase infinidade”. A construção narrativa também obedece um padrão: os atos de acordar, de trabalhar e de morrer – e cada vez, de uma forma diferente. 

O título “O Termo” faz referência a um compromisso que será firmado em documento e assinado por artistas mais jovens que terão a responsabilidade de documentar a morte de Evandro junto com os vídeos que estão sendo produzidos a cada ano. “A passagem da vida, do trabalho, do tempo, são fundos de uma especulação, mesmo que poética, das possíveis formas de morrer. Como, quando e onde vamos morrer?”, reflete o idealizador.  

A inspiração para realizar esse projeto vem de episódios que provocaram o artista sobre a morte, como acontecimentos que marcaram sua infância – o nascimento dramático com o cordão umbilical enrolado no pescoço e a posterior batalha da mãe para vencer a depressão pós-parto – até acidentes recentes, como uma ferroada de um escorpião durante uma viagem a Veneza e um picada de uma vespa venenosa durante uma passagem por Berlim. Sobre o “prazo de entrega” do filme, Evandro prefere mensurá-lo pela duração. “Espero que seja um longa, longa, mas um bem longa-metragem”, diverte-se.

O artista

Natural de Blumenau e atualmente residindo no Rio de Janeiro, Evandro Machado é o convidado da terceira edição da Claraboia, projeto interdisciplinar de ocupação do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) voltado para artistas e grupos catarinenses com reconhecida representatividade no cenário nacional. 

Considerado um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, Evandro Machado apresenta uma série composta por vídeos de animação, desenhos em grande formato e uma instalação sonora para construir uma paisagem pós-apocalíptica tendo como cenário os grandes centros urbanos e a ausência do ser humano. Atuou nos ramos de publicidade, educação ambiental, ilustração gráfica e atualmente possui um atelier no Rio de Janeiro. 

Claraboia

O trabalho de Evandro Machado pode ser conferido no Masc até o dia 6 de fevereiro de 2018. Pelo espaço Claraboia já passaram os artistas O Grivo, Roberto Freitas e Marcelo Camparini com a escultura sonora “Máquina Orquestra” e, recentemente, o Grupo Cena 11 com a ocupação/residência “Adesão ao Não Esquecimento”. 

Confira o vídeo com o artista.

 

Serviço

O quê? Exposição Futuro do Pretérito (Claraboia Masc): até 28 de janeiro de 2018;

Exibição do filme O Termo (Sala de vídeo): até 6 de fevereiro de 2018;

Onde: Museu de Arte de Santa Catarina

Entrada gratuita.


Fonte: Floripa News