Audiência pública defende humanização


Brasília. Cerca de 95% das mulheres encarceradas no Brasil já sofreram ou sofrem algum tipo de violência dentro das prisões. A informação foi dada pela secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Sílvia Rita Souza, em audiência pública sobre a violência de gênero nos presídios femininos realizada ontem na Câmara.


Segundo ela, as mulheres representam um dos grupos mais vulneráveis no sistema prisional. Além da exposição a situações de violência, elas apresentam perfil de baixa escolaridade e pouco acesso a direitos sociais.


Do total de mulheres presas no Brasil, 68% são jovens, com idade entre 18 e 34 anos, 61% são negras e pardas, 62% são analfabetas ou tem o ensino fundamental incompleto e 57% são mães solteiras. A maioria é presa por tráfico de entorpecentes.


Como estratégia para mudar esta realidade, a secretária apresentou as principais diretrizes da Política Nacional de Atenção às Mulheres em Situação de Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional (Pnampe).


A política prevê, entre outros pontos, a humanização no tratamento das presas, maior produção de estudos e a elaboração de políticas estaduais sobre o tema.


A professora Carolina Ferreira defendeu mudanças na política nacional de drogas no sentido de liberar o indulto às mulheres privadas de liberdade por envolvimento no chamado tráfico privilegiado de entorpecentes.


Fonte: diariodonordeste