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19/06/2017 às 11:52
Governo português corrige para 61 número de vítimas do incêndio
Mas o primeiro-ministro António Costa projeta: "certamente encontraremos mais vítimas"
 
Um grande incêndio florestal na região central de Portugal que começou na noite de sábado deixou ao menos 62 mortos, entre eles 30 pessoas que ficaram presas no interior de seus veículos. O primeiro-ministro português, António Costa, afirmou neste domingo, 18, que não lembrava de uma "tragédia dessa dimensão".
Cerca de 800 bombeiros e 250 veículos combatiam o fogo ainda na tarde de ontem em Pedrogão Grande, uma área montanhosa cerca de 200 km a nordeste de Lisboa. As chamas estenderam-se por várias frentes.
O premiê chegou a dizer ontem que o número de mortos era 62, mas a cifra foi corrigida para 61, porque uma vítima havia sido contabilizada duas vezes. "Mas certamente encontraremos mais vítimas", acrescentou Costa, emocionado, após uma visita ao local do incêndio.
Muitas das vítimas ficaram presas no interior de seus carros quando circulavam por uma estrada entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra. "É difícil dizer se estavam fugindo do fogo ou se foram surpreendidas por ele", explicou o secretário de Estado para Questões Internas, Jorge Gomes.
Autoridades afirmaram ter encontrado 17 corpos perto da estrada, provavelmente de vítimas que perceberam que não conseguiriam seguir viagem com os carros e tentaram fugir a pé. "Infelizmente, esta é, sem dúvida, a pior tragédia que conhecemos nos últimos anos em termos de incêndios florestais", reconheceu Costa, na sede da Defesa Civil.
Solidariedade
Dezenas de afetados que fugiram de suas casas foram acolhidos pelos habitantes de uma localidade vizinha, Ansiao. "Há pessoas que chegaram dizendo que não queriam morrer em sua cassa, envoltas pelas chamas", explicou o morador Ricardo Tristão.
"Houve um momento muito tenso no povoado de Moninhos Cimeiros, onde várias moradias tiveram de ser esvaziadas e, se não tivéssemos chegado lá, tudo teria virado fumaça", explicou o bombeiro Mario Maia.
Segundo o primeiro-ministro, "a prioridade é salvar quem possa continuar em perigo". Costa acrescentou ser vital se concentrar na prevenção de novos incêndios, em meio a uma contínua onda de calor, ventos fortes e falta de chuvas.
No sábado, um forte calor atingiu Portugal, com temperaturas que superaram os 40 graus em várias regiões. Cerca de 60 incêndios florestais foram registrados em todo o país durante a noite de sábado e cerca de 1.700 bombeiros foram mobilizados para combatê-los.
O primeiro-ministro explicou que os diversos focos de incêndio podem ter sido provocados pela queda de raios em zonas onde ocorrem tempestades elétricas. O principal foco atingiu vários povoados, onde foram colocados em andamento operações de retirada.
O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, viajou à zona atingida para prestar condolências às famílias das vítimas, e disse que "compartilha sua dor, em nome de todos os portugueses". O governo declarou três dias de luto e enviou dois batalhões do Exército para ajudar os serviços de emergência.
Apoio
A União Europeia disse que enviaria a Portugal aeronaves de combate a incêndios. A França ofereceu três aviões e a Espanha enviou dois ontem, disseram autoridades.
Em nota, o Brasil manifestou ontem seu pesar e sua solidariedade ao governo de Portugal e às famílias das vítimas. Informou que não havia registros de brasileiros entre as vítimas, mas alertou os cidadãos residentes ou em trânsito na região de Leiria a seguir as instruções das autoridades locais.
No Vaticano, o papa Francisco, que visitou o país no mês passado, mencionou a tragédia em seu discurso semanal. "Estou perto do povo querido de Portugal, atingido por um fogo devastador."
Relativamente poupado nos anos de 2014 e 2015, Portugal foi duramente atingido no ano passado por incêndios florestais que devastaram mais de 100 mil hectares. Na ilha turística da Madeira, onde o fogo deixou 3 mortos em agosto, 5.400 hectares foram devorados pelas chamas em 2016 e 40 casas foram destruídas. Fontes: AFP, REUTERS e NYT

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