topo JF - Agência e Clipping de Notícias

 

 

 

27/06/2017 às 17:52
Escândalo de corrupção na Fifa abala Copa de 2022 no Catar

 

A Copa do Mundo de 2022 passa por nova turbulência com a denúncia de corrupção dando conta que US$ 2 milhões teriam sido pagos à filha de 10 anos de um membro da Fifa antes da escolha do Catar para sede do Mundial. A informação é do diário alemão Bild, que publicou nesta terça-feira (27/6) o relatório do investigador independente Michael Garcia encomendado pela Fifa.

 

Antes de entrar nesse caso de corrupção vale ressaltar que o Catar enfrenta uma grave crise diplomática com seus países vizinhos no Golfo Pérsico que pode comprometer a Copa de 2022. Analistas internacionais e importantes dirigentes esportivos avaliam que o Mundial corre risco de alternar de sede. A situação se complicou no dia 5 de junho quando Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein fecharam a única via terrestre para o Catar e se recusaram a permitir o uso de seus portos marítimos ou espaço aéreo.

 

Esses países romperam as relações e bloquearam suas fronteiras com acusações de que o Catar é um importante financiador de organizações terroristas “que querem desestabilizar a região”. Segundo especialistas consultados pela agência AFP, uma das áreas que poderiam ser afetadas por esta decisão diplomática é a Copa do Mundo de 2022, evento que o Catar projeta um investimento de R$ 31 bilhões só na construção de estádios e instalações voltadas ao futebol.

 

Se a crise diplomática no Golfo Pérsico, a mais séria desde 1991, como atestam os analistas internacionais, complica a realização da Copa de 2022, o mais recente caso de corrupção também mexe com o Mundial. O jornal alemão Bild afirma ter tido acesso ao relatório de mais de 400 páginas do ex-procurador americano sobre o processo que escolheu Rússia e Catar como sedes das Copas de 2018 e 2022, respectivamente. O relatório, encomendado pela Fifa, nunca foi publicado pela entidade.

 

De acordo com o Bild, o relatório Garcia revelou que “um ex-membro executivo (da Fifa) felicitou membros da federação do Catar e agradeceu por e-mail o pagamento de centenas de milhares de euros” após a atribuição da competição ao Catar”, redigiu o jornal.

 

“Dois milhões de dólares de origem desconhecida aterrissaram na poupança da filha de 10 anos de um membro da Fifa”, continuou o diário.

 

Segundo o veículo de imprensa alemão, “três membros executivos da Fifa com direito a voto foram a uma festa no Rio de Janeiro em um jato privado da Federação de Futebol do Catar antes da eleição para atribuição da sede da competição”.

 

O maior complexo esportivo do mundo, o “Aspire Academy”, uma organização catariana, também “esteve envolvida de maneira decisiva na manipulação de membros da Fifa com direito a voto”.

 

A atribuição da sede da Copa do Mundo de 2022 ao Catar, definida em 2010, esteve envolvida em suspeitas de corrupção desde o início.

 

Uma investigação interna, conduzida pelo ex-procurador americano Michael Garcia, foi realizada. Após ler o relatório, a Câmara de Julgamento da Comissão de Ética da Fifa afirmou ter identificados comportamentos suspeitos por parte de membros da Fifa, mas nada que pudesse colocar em dúvida a atribuição das duas próximas Copas do Mundo.

 

Em 2014, Michael Garcia criticou a decisão da Fifa, afirmando que a leitura de seu relatório, que teve apenas uma parte publicada, havia sido parcial.

 

 

Fifa reage

 

A denúncia do jornal alemão surge quase dois meses após a decisão de Gianni Infantino, presidente da Fifa desde 2016, de destituir a comissão de ética da entidade encarregada de investigações de velhos cartolas, como ex-presidente Joseph Blatter e até de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF.

 

Em um congresso em Bahrein, em maio, dirigentes da Fifa aliados de Infantino tomaram uma decisão das mais polêmicas até aqui: trocar a comissão de ética. Infantino decidiu não renovar os mandatos dos presidentes da comissão, o suíço Cornel Borbély e o alemão Hans-Joachim Eckert, e nomeou novos presidentes, que serão submetidos a voto das 211 federações que compõem a Fifa.

 

A colombiana Maria Claudia Rojas deve suceder Borbély na presidência do órgão, enquanto o grego Vassilios Skuris vai comandar o órgão de julgamentos, no lugar de Eckert. Além disso, Eckert foi repreendido após de se opor ao informe Garcia, que detalha esquema de corrupção na Fifa.

 

Segundo várias fontes da agência de notícias AFP, Infantino teria relações tensas com a comissão de ética. O órgão abriu uma investigação preliminar no começo do mandato do presidente por comportamentos contrários ao código da Fifa, mas não avançou.

 

Borbéli e Eckert reagiram e por meio de um duro comunicado rebateram Infantino.

 

“A motivação política da não-renovação dos mandatos (de Borbélil e Eckert) significa de fato o fim dos esforços de reforma da Fifa. Isso inevitavelmente levará a uma perda de confiança e prejudicará ainda mais a já manchada imagem da Fifa. O futuro da Fifa está em risco. Parece que os chefes da Fifa atribuíram mais peso a seus interesses políticos e aos próprios interesses do que os da entidade. Eles aceitaram comprometer a integridade da Fifa e, portanto, o futuro do jogo”, diz o comunicado.

 

(com AFP)

Loading...


 

Loading...
 

 

Cadastre seu e-mail e receba nossos boletins diários:

 

 

 

 

Leitores On Line