OAB e procurador eleitoral pedem saída de Arruda
O procurador pediu ao TRE que tome o cargo do governador sob o argumento de que ele se desfiliou do DEM sem justa causa. A OAB pediu à Procuradoria-Geral da República seu afastamento ou prisão.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o procurador eleitoral usaram caminhos diferentes para fazer o mesmo pedido: a saída do governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. A suspeita de que a oposição foi alvo de grampo ilegal ganhou um novo capítulo nesta terça-feira.
A Polícia Civil de Goiás abriu processo contra dois agentes presos em Brasília. Em depoimento, um dos policiais disse que iria fazer varredura em gabinetes do governo do Distrito Federal em busca de grampos. Estava sendo contratado por Francisco Monteiro, funcionário do gabinete do deputado Benedito Domingos, um dos citados no inquérito que apura o mensalão do Democratas.
“Confiva porque ele trabalhou seis meses nos nossos gabinetes aqui e nunca houve nada contra ele”, declarou o deputado distrital Benedito Domingos.
O policial também disse que já tinha feito outro serviço para Francisco Monteiro: uma avaliação nos vídeos gravados por Durval Barbosa e que deram início ao escândalo.
“Eles estavam sem o conhecimento do chefe imediato, sem o conhecimento de qualquer dirigente da Polícia Civil de Goiás eles foram lá por conta e risco deles”, declarou o diretor-geral da Polícia Civil de GO, Aredes Correia Pires.
A oposição acha que era o alvo das escutas. “Isso é um atentado a atividade parlamentar. Isso é um atentado a democracia. Isso é um atentado a legalidade”, afirmou a deputado distrital
Érica Kokay.
O presidente da casa diz que tudo será investigado. Mas, passados três meses do escândalo, os aliados de Arruda só se mexeram para emperrar as investigações e o processo de impeachment contra o governador.
O obstáculo na estratégia de Arruda pode vir da Justiça por dois caminhos: nesta terça-feira, o procurador eleitoral pediu ao TRE que tome o cargo do governador sob o argumento de que Arruda se desfiliou do Democratas sem justa causa e que, pela lei, nesse caso, o mandato pertence ao partido. Com o mesmo argumento, o procurador pediu a cassação do mandato de Leonardo Prudente, o ex-presidente da Câmara Legislativa.
“O partido Democratas teria um prazo de 30 dias após a desfiliação tanto do governador quando do deputado distrital para ingressar com ação de perda do cargo deles e se omitiu”, disse o procurador eleitoral Renato Brill.
Nesta terça, também, a Ordem dos Advogados do Brasil pediu à Procuradoria Geral da República o afastamento do governador ou a prisão dele. Alega que a participação direta do governador prejudica o processo.
“Que ele seja afastado, a fim de que o processo possa ser realizado e uma forma íntegra, de uma forma republicana, isso tudo respeitando as provas existentes”, declarou o presidente da OAB, Ophir Cavalcante.
Sobre o pedido de afastamento da OAB, o advogado de Arruda, Nélio Machado, disse que o discurso da ordem é de perseguição.
O governador declarou que considera o pedido do procurador eleitoral improcedente e que só o Democratas poderia pedir a devolução do mandato.