Volta a chover forte em Alagoas
Em Jacuípe, as casas ficaram cobertas de água até o telhado. Em São José da Lage, o rio está a um passo das casas ribeirinhas e cinco mil pessoas esperam ajuda para recomeçar suas vidas.
Voltou a chover forte em Alagoas. A situação dos moradores e desabrigados, que se preparavam para recomeçar a vida, ficou ainda mais dramática.
Um pesadelo que não termina. Nesta segunda-feira, Jacuípe amanheceu com as casas cobertas de água até o telhado. O drama dos moradores se repete 11 dias depois da maior enchente que Alagoas já enfrentou.
A ponte que liga o município a Palmares, em Pernambuco, desapareceu debaixo da enxurrada. A cheia já deixou mais de 2 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas em Jacuípe.
Os moradores não tiveram ajuda nos momentos mais difíceis. Os Bombeiros acreditavam que já tinham cumprido a missão e deixaram a cidade.
Em Murici, a Defesa Civil conseguiu alertar a população. Houve tempo de retirar as famílias que tinham retornado às áreas de risco. O nível do Rio Mundaú subiu rapidamente. A lama nem tinha secado e as ruas novamente foram inundadas. Um homem caminhava com a água na altura da cintura, os cachorros só conseguiam atravessar nadando.
No último domingo, choveu o dia todo. Nesta segunda, a chuva também não parou. Uma ironia: na região que sofre com as secas, ano após ano, desta vez, outro flagelo ameaça os moradores. Em São José da Lage, o rio está a um passo das casas ribeirinhas. O Rio Mundaú levou todos os quintais.
A correnteza é muito forte. Apesar do alerta, Dona Maria vê o rio subir e não quer deixar a casa. “Porque não tem para onde ir”, justificou ela.
Ao lado das ruínas e da correnteza, o padeiro Mibison, de 34 anos, tenta levar a mudança para um lugar seguro. Todo o patrimônio da família, de quatro filhos, cabe num carrinho de mão.
“Deu para salvar colchão, sofá: a herança que eu tenho”, disse ele.
Em São José da Lage, 5 mil pessoas esperam ajuda para recomeçar.