Com um tempo menor para se tornarem conhecidos da população e apresentarem suas propostas, os candidatos a prefeito de Fortaleza, neste ano, têm procurado visitar um maior número de bairros, para tentarem conquistar o voto do eleitorado.

Acontece que nem todo eleitor está interessado ou confia nas promessas feitas por alguns postulantes, e muitos eleitores até se mostram indiferentes aos prefeituráveis, quando estes visitam comunidades de Fortaleza.

No fim de semana passado, a maioria dos candidatos a prefeito de Fortaleza investiu em visitas a bairros periféricos da cidade, em especial a pontos de concentração de muitas pessoas, tais como feiras livres e o Mercado Central. O Diário do Nordeste acompanhou as incursões de alguns dos prefeituráveis com sua tropa de militantes, e percebeu que, devido a falta de credibilidade que o homem público tem tido junto à população, alguns foram cobrados e até ignorados durante suas tentativas de aproximação ao povo.

Apesar do desdém que alguns eleitores fazem de postulantes, outros demonstraram verdadeira idolatria a determinados nomes, em especial aos quatro candidatos que estão na linha de frente das pesquisas eleitorais: Roberto Cláudio (PDT), Luizianne Lins (PT), Capitão Wagner (PR) e Heitor Férrer (PSB).

Antes da chegada e após a partida dos candidatos, porém, o ambiente continua o mesmo, sem qualquer comentário ou alteração no cotidiano daqueles homens e mulheres que mantêm a rotina diária, como se, inclusive, não estivéssemos em um período eleitoral, já entrando no último mês de campanha antes do pleito, que acontecerá no dia 2 de outubro.

No fim de semana, Capitão Wagner e Heitor Férrer decidiram intensificar as caminhadas, carreatas e "adesivaços" em diversos pontos de Fortaleza.

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Para o prefeiturável Heitor Férrer (PDT), a ida aos pontos onde há maior concentração de pessoas é uma obrigação dos candidatos Foto: helene santos

No sábado (3), os dois se encontraram na Feira do São Cristovão quando faziam o corpo a corpo junto à população. Tiveram que dividir espaço com candidatos a vereadores que também estiveram no local durante o mesmo período.

Apesar de toda a muvuca que tomou conta da feira durante a passagem de tantos candidatos, com seus carros de som e "bandeiraços", foi só terminar a visita que tudo voltou ao normal.

"Eles vêm, passam aí, fazem uma palestra mas aqui eu estou e aqui fico. Não tenho escutado nada do que eles falam, e não tenho acompanhado muito isso", disse ao Diário a dona de casa Francisca de Souza, que aproveita o movimento da feira aos sábados para vender bolo, café, tapioca e suco.

A indiferença da eleitora é corroborada por outros feirantes, como Carla Farias, vendedora de frutas no local. Ela informou que ainda não sabe em quem votar e nem se vai votar.

"Só Deus sabe. Nem presto atenção nisso porque não tenho tempo. Eu mandei foi um sair daqui, porque estava atrapalhando meu trabalho", disse enquanto atendia um cliente. Estas são apenas algumas das críticas e cobranças que os candidatos têm que se submeter para tentar conquistar um voto.

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 O candidato Capitão Wagner (PR) está realizando os "bate-papos nos bairros", nos quais explana ideias e ouve demandas das pessoas Foto: Helene Santos

Heitor Férrer chegou a ser chamado de "radical" e "conservador" por um eleitor, enquanto que outro disse que o pessebista perdeu seu voto, visto que ao passar duas vezes por ele não lhe dirigiu a palavra. Foi preciso a assessoria perceber o equívoco para levar o candidato a cumprimentar o eleitor, que dizia em alto e bom som que votaria no Capitão Wagner "que me abraçou e tirou foto comigo".

Apesar das críticas de alguns eleitores, o prefeiturável teve o apoio de motoristas, que assim como ele, reclamam dos fotossensores espalhados pela cidade. Essa tem sido uma das principais bandeiras de Férrer, diminuir a quantidade de equipamentos desse tipo na cidade.

Segundo Heitor, apesar do advento das redes sociais nos últimos anos, a caminhada e ida aos pontos onde há a maior concentração de pessoas é uma obrigação dos candidatos.

O que o parlamentar mudou, segundo disse, foi o uso de ferramentas como Facebook com mais intensidade, para otimizar o tempo, visto que não poderá visitar todos os logradouros da cidade. Nas feiras livres, o pessebista tem ouvido muitas reclamações sobre a falta de estrutura nesses espaços, como a necessidade banheiros químicos para atender os usuários. No geral, a reclamação do eleitorado que vai até o postulante é a crise na saúde pública de Fortaleza.

Além de visitas a feiras livres, mini-carreatas e "adesivaços", Capitão Wagner está procurando inovar realizando os chamados "bate-papos nos bairros", onde em uma roda de conversa aproveita para explanar suas ideias e ouvir as demandas da população. Enquanto a área nobre tem demandado segurança pública, na periferia a situação da saúde é a maior reclamação por parte da população, bem como a falta de infraestrutura nos bairros da cidade.

Com um apelo maior para os dois temas, Wagner tem conseguido o apoio das pessoas nos locais onde passa. Como candidato, no entanto, ele também ouviu reclames daqueles que não acreditam mais na representatividade do homem público.

Inclusive, algumas pessoas o abordaram para dizer que os postulantes prometem e até fazem algo no início de seus mandatos, mas depois de um certo tempo tudo volta a ser como era antes.

Apesar de ter como aliados os senadores Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (PMDB), o postulante afirma que sua campanha está com poucos recursos, e, portanto, o diálogo nas ruas será sua bandeira até o pleito em outubro próximo. "O período é menor e temos que intensificar para atender as diversas demandas da cidade, em 45 dias. Ao invés de um ou dois bairros por dia, temos que visitar três ou quatro para estar em todos os lugares da cidade".

Nos últimos dias, a ex-prefeita de Fortaleza e atual deputada federal, Luizianne Lins (PT), devido ao envolvimento com as discussões no Congresso Nacional, reduziu suas visitas aos bairros de Fortaleza. No entanto, a postulante vai intensificar as incursões nas comunidades da cidade até o próximo dia 12 de setembro, quando retorna à Câmara Federal para votar no julgamento de cassação do ex-presidente da Casa, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Quando da visita que fez ao Mercado Central, ontem, a petista foi abordada por uma permissionária que dizia ser sua eleitora. Outros comerciantes, porém, disseram que a mulher faz a mesma abordagem com todos os candidatos. Para o permissionário do Mercado Central, Vicente Oliveira, a ida dos candidatos ao equipamento é importante, visto que é um lugar com circulação grande de pessoas. Ele se disse em dúvida sobre em quem deve apostar seu voto.

"Ela foi uma boa prefeita para nós. E o atual também é um ótimo prefeito. Isso deixa a gente em dúvida". A ex-prefeita afirmou que nenhum tipo de relação ou interação vai substituir o contato corpo a corpo com o eleitorado. "Ao contrário. Nós que temos menos tempo de televisão, temos que tornar esse contato mais forte. Isso sempre vai existir, mesmo com o advento das redes sociais. É natural e nunca vai acabar", disse. A petista afirmou que, das visitas que têm feito nas ruas, ouviu muitas reclamações, principalmente nas periferias, sobre a área da saúde, como ausência de médicos e falta de medicamentos.

Diferentemente dos demais candidatos, Roberto Cláudio tem feito poucas incursões em feiras livres ou locais de grande movimentação de pessoas. Está se dedicando mais a visitar comunidades porta a porta, ouvindo as críticas e sugestões das pessoas. Em seu comitê um mapa da cidade de Fortaleza está, praticamente, preenchido com as letras "RC", "M" e "RC/M", que significam, respectivamente, "Roberto Cláudio", "Moroni" e "Roberto Cláudio e Moroni" descrevendo os lugares por onde candidato a prefeito e vice-prefeito passaram nessas três semanas de eleições nas ruas.

No domingo (4), ele participou de uma "bicicletada" nas proximidades do Parque do Cocó, e no sábado esteve em eventos de candidatos a vereador, que inauguravam seus comitês de campanha. "O retorno da população nos deixa muito satisfeito. Eventualmente, eles encaminham demandas locais, como iluminação pública, abertura de rua ou limpeza. Mas, no geral, Saúde e Segurança têm sido os problemas mais apresentados por eles. A pauta local, as vezes, é mais intensa".

Além da campanha nas ruas, com carreatas, "adesivaços" e as chamadas "bicicletadas", o atual prefeito de Fortaleza tem investido nas redes sociais. A partir desta semana, o candidato responderá às inúmeras perguntas feitas em sua página no Facebook.

Estrutura menor

Ronaldo Martins (PRB), Tin Gomes (PHS), João Alfredo (PSOL) e Francisco Gonzaga (PSTU), com menor estrutura, também têm investido nas visitas às comunidades e no corpo a corpo com o eleitorado. O republicano, por exemplo, tem se utilizado também dos chamados comícios, e João Alfredo, tem se utilizado das "rodas de conversas", que são encontros mais intimistas entre apoiadores de sua candidatura a prefeito.

Fonte: diariodonordeste