Chefe interino do Pentágono viaja ao Afeganistão em sua primeira visita ao exterior

<p>O chefe interino do Pentágono, Patrick Shanahan, se reuniu nesta segunda-feira (11) com o presidente Ashraf Ghani, em uma visita surpresa a Cabul, coincidindo com as negociações de paz dos Estados Unidos com o Talibã.</p><p>A visita se deu após negociações importantes de Washington com representantes dos talibãs no Catar, no mês passado. Os negociadores esperam chegar a uma resolução para dar fim aos 17 anos de conflito.</p><p>O presidente Donald Trump está pressionando para encerrar a intervenção dos Estados Unidos no Afeganistão, onde estão 14 mil soldados americanos, o que alimenta os temores no país de que Washington se retire antes de garantir uma paz duradoura entre os talibãs e o governo de Cabul.</p><p>Durante essa visita, não anunciada por razões de segurança, o secretário interino da Defesa se encontrou com o presidente afegão, Ashraf Ghani, que o Talibã excluiu das negociações.</p><p>”É importante que o governo afegão esteja envolvido nas discussões que dizem respeito ao Afeganistão”, disse Shanahan no avião para Cabul.</p><p>”Os Estados Unidos investiram muito na segurança [do Afeganistão], mas são os afegãos que devem decidir seu futuro”, disse aos repórteres que o acompanham.</p><p>O Talibã se recusa a negociar com o Executivo de Ashraf Ghani, a quem os rebeldes chamam de “marionete” dos americanos.</p><p>Em sua campanha eleitoral, Donald Trump prometeu que acabaria com este conflito, que matou milhares de civis afegãos e 2.400 soldados americanos ou, ao menos, que retiraria suas tropas. Uma ideia que reiterou na terça-feira passada durante seu discurso anual sobre o Estado da União perante o Congresso.</p><p>Em dezembro, autoridades americanas disseram que o presidente havia decidido repatriar metade dos 14 mil militares americanos no Afeganistão.</p><p>- Sem redução de contingente imediata -</p><p>Mas Shanahan, um ex-executivo da Boeing que chegou ao posto de número 2 do Pentágono em 2017 antes de suceder, em 1º de janeiro, Jim Mattis, afirmou que neste momento não há planos imediatos de uma redução iminente do contingente americano no Afeganistão.</p><p>”Eu não recebi ordens para reduzir nossas tropas no Afeganistão”, disse ele.</p><p>”A presença que queremos no Afeganistão deve garantir a defesa de nosso território e apoiar a estabilidade regional”, acrescentou. Qualquer discussão sobre o volume de tropas implantadas “será realizada de maneira coordenada e disciplinada”.</p><p>Mattis renunciou ao cargo por causa de suas divergências com Trump sobre a retirada das tropas americanas na Síria, onde atuam desde 2014 contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI), liderando uma coalizão internacional.</p><p>Além de seu encontro com o presidente afegão, Shanahan também planeja visitar a base de Morehead, perto de Cabul, onde os soldados americanos treinam seus colegas afegãos.</p><p>Shanahan afirmou seu apoio ao enviado dos Estados Unidos para a paz no Afeganistão, Zalmay Khalilzad, que está negociando com o Talibã. Mas indicou que também espera ouvir as impressões do general Miller sobre essas negociações, que sempre são acompanhadas por um representante do Pentágono.</p><p>”Quando refletimos sobre nossa presença nesse país, há muitos riscos, mas também muitas oportunidades”, disse ele.</p><p>”Parte do propósito da minha visita é sentar com o general Miller e sua equipe […] para me dizer o que é importante para ele, o que ainda precisa ser resolvido.</p><p>Por sua parte, Zalmay Jalilzad iniciou no domingo à noite um giro que o levará à Bélgica, Alemanha, Turquia, Catar, Afeganistão e Paquistão, segundo o Departamento de Estado americano.</p><p>As negociações entre Washington e os talibãs teriam que ser retomadas em 25 de fevereiro, segundo os insurgentes.</p><p>A última reunião realizada em janeiro em Doha, onde o Talibã mantém um escritório político, terminou, segundo ambas as partes, com “progressos”.</p><p>Khalilzad anunciou mais tarde que um “esboço” de acordo havia sido alcançado, mas que “muito trabalho” ainda precisava ser feito para alcançar a paz.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense