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05/06/2017 às 07:37
Um dia após ataque, May propõe endurecer legislação antiterror

 

A primeira-ministra britânica, Theresa May, endureceu seu discurso neste domingo (4) ao dizer que "já basta", reagindo ao atentado que deixou 7 mortos e 48 feridos na véspera. A facção terrorista Estado Islâmico reivindicou o ataque em uma mensagem divulgada em seu canal oficial, mas não havia evidências de elo com a milícia até a conclusão desta edição.

 

A conservadora disse que existe "demasiada tolerância ao extremismo" e, a cinco dias das eleições gerais, sugeriu revisar a legislação vigente para o combate ao terror.

 

As penas de detenção podem ser aumentadas, e o governo pode implementar novas regulações à internet para frear a disseminação de ideologias radicais. "Não conseguiremos vencê-los apenas no campo militar", discursou May.

 

Três homens ainda não identificados atropelaram pedestres na ponte de Londres no sábado à noite e, vestindo coletes explosivos falsos, esfaquearam clientes no vizinho mercado de Borough.

 

A nacionalidade de dois dos sete mortos foi confirmada: um francês e uma canadense –esta, identificada pela família como Christine Archibald, que se mudou com o noivo para a Europa.

 

Os agressores foram mortos após embate com a polícia, elogiada durante o dia por ter reagido ao ataque em apenas oito minutos. As autoridades detiveram 12 pessoas na região de Barking, no leste de Londres.

 

May afirmou que não há indícios de uma relação direta entre o ataque de sábado e a explosão em Manchester, que deixou 22 mortos no dia 22 de maio, assim como eles não estariam relacionados ao atropelamento na ponte de Westminster, em março.

 

"O terrorismo alimenta o terrorismo, e os autores passam ao ato não com base em complôs cuidadosamente preparados, e sim porque são agressores que copiam uns aos outros utilizando os meios mais ordinários."

 

May recebeu o apoio do Conselho Muçulmano Britânico, cujo secretário-geral, Harun Rashid, condenou a o extremismo islamita como sendo um "culto da morte".

 

"O ataque de hoje nos enraivece a todos. Queremos fazer algo a respeito. É por isso que concordamos com a primeira-ministra. As coisas precisam mudar. Já basta."

 

As campanhas nacionais à eleição foram suspensas durante o dia, mas devem ser retomadas nesta segunda (5).

 

HERÓIS

 

Circulavam à tarde diversas histórias de heroísmo, tanto de policiais quanto de civis, como um cozinheiro romeno que abrigou 20 pessoas durante a ação. Restaurantes indianos ofereceram comida de graça a quem não conseguisse voltar para casa.

 

Alguns dos clientes do mercado de Borough fizeram uma barricada dentro de um pub, arremessando mesas contra os agressores e chamando-lhes de "covardes".

 

Outras duas histórias fizeram sucesso durante o dia: o homem que voltou a um restaurante árabe para pagar a conta, deixada em aberto no ataque, e outro cliente que foi fotografado correndo segurando um copo de cerveja –este foi aclamado como símbolo do espírito londrino.

 

TRUMP

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu ao ataque pedindo que o mundo deixe de ser "politicamente correto" no combate ao terrorismo. Ele criticou o prefeito de Londres, Sadiq Khan, que dissera não ver razão para pânico diante da presença de policiais armados. "Ao menos sete mortos e 48 feridos em um ataque e o prefeito de Londres diz que não há razões para alarme", escreveu. Um porta-voz de Khan disse que "ele tem coisas mais importantes do que responder a Trump". 

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